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ATUALIZADA - Polícia confirma identidade de autor de atentado em Nice

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia da França identificou Mohamed Bouhlel, 31, como o terrorista que matou 84 pessoas, entre elas dez crianças e adolescentes, na noite de quinta-feira (14) em Nice. Dos 202 feridos, 52 ainda estão em estado crítico.

As informações foram divulgadas por François Molins, procurador francês.

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Bouhlel dirigia o caminhão frigorífico que atropelou a multidão que assistia à festa de fogos de artifício na Promenade des Anglais, na orla de Nice, em comemoração ao Dia da Bastilha. O veículo avançou em zigue-zague por dois quilômetros, provavelmente para que causasse o maior número possível de vítimas. Bouhlel morreu em troca de tiros com a polícia, ainda no banco do motorista, na altura do Palais de la Méditerranée.

O caminhão utilizado no ataque foi alugado pelo próprio terrorista no dia 11 de julho e deveria ter sido devolvido no dia 13.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, disse que Bouhlel é "sem dúvida um terrorista ligado ao islamismo radical". Valls deu entrevista nesta sexta (15) ao canal de televisão France 2 sem revelar quais evidências determinaram essa conclusão.

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"É sem dúvida um terrorista ligado ao islamismo radical de uma maneira, ou de outra (...) Sim, foi um ato terrorista, e nós vamos buscar cúmplices", declarou ele.

Valls disse ainda que a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos vai reforçar seus recursos militares contra o grupo Estado Islâmico (EI) na reunião de ministros da Defesa dos países envolvidos, que ocorre em 20 de julho em Washington.

"Vamos reforçar os recursos da coalizão nessa reunião muito importante", declarou Valls, negando qualquer falha das forças de segurança francesas. O encontro contará com a presença do ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drian.

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OPERAÇÃO DE BUSCA

Na manhã desta sexta (15), autoridades realizaram uma operação de busca no que seria o apartamento de Bouhlel. Segundo o jornal "Nice Matin", o local não era o domicílio atual do homem, mas a residência que ele dividia com a mulher e os filhos antes de sair após denúncias de violência conjugal.

A mulher de Bouhlel foi detida pela polícia, disse Molins. De acordo com a agência Associated Press, o casal estava em processo de divórcio.

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Nascido na Tunísia em 4 de julho de 1985, Bouhlel tinha visto de residência na França. Ele possuía filhos e exercia a profissão de motorista. Segundo o procurador Molins, o terrorista tinha ficha na polícia e chegou a ser condenado a seis meses de prisão por agressão. A pena, no entanto, foi suspensa.

Ainda assim, sua radicalização passou desapercebida pelas autoridades ?seu nome não estava listado na chamada "ficha S", reservada aos indivíduos considerados como possíveis ameaças pelo governo francês.

"O atentado não foi reivindicado, mas corresponde a ações de organizações terroristas", disse Molins. A polícia ainda investiga se Bouhlel teve cúmplices.

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Pela manhã, os relatórios de atividades divulgados por extremistas da facção Estado Islâmico nas redes sociais não mencionavam nenhum ataque a Nice. Um áudio em árabe, acompanhado de transcrição, elencava diversas atividades terroristas ?por exemplo, na Síria e no Iraque? mas silenciava sobre a França.

Esse não é o primeiro atentado que, apesar da suspeita, não é reivindicado pelo Estado Islâmico. Segundo analistas, isso pode ser uma estratégia, com a facção beneficiando-se da especulação, ou sinalizar um ataque sem vínculo com a liderança do EI.

ESTADO DE EMERGÊNCIA

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O presidente da França, François Hollande, está em Nice para acompanhar as investigações sobre o caso. Após o ataque, ele prorrogou o estado de emergência no país por mais três meses. Além disso, foi decretado luto oficial de três dias.

"A França como um todo está sob ameaça do terrorismo islâmico. Nós temos que demonstrar absoluta vigilância e uma determinação inabalável", disse o mandatário. O estado de emergência dá poderes extras de detenção para a polícia e amplia outras medidas de segurança no país.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou nesta sexta-feira (15) que o país vive "uma nova era" e que a "França terá de conviver com o terrorismo". Já André Jacob, ex-chefe do departamento de segurança contra terrorismo da Bélgica, disse que este tipo de atentado é "impossível de prevenir, mesmo se houver pistas [dos ataques]".

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