ATUALIZADA - Polícia confirma identidade de autor de atentado em Nice
Inclui a retranca FRANÇA-TERRORISMO 3 - (ATUALIZADA)
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A polícia da França identificou Mohamed Bouhlel, 31, como o autor do atentado que matou 84 pessoas na noite de quinta-feira (14) em Nice.
Bouhlel dirigia o caminhão frigorífico que atropelou a multidão que assistia à festa de fogos de artifício na Promenade des Anglais, na orla, em comemoração ao Dia da Bastilha. Segundo testemunhas, o veículo avançou em zigue-zague, provavelmente para que causasse o maior número possível de vítimas. Bouhlel morreu em troca de tiros com a polícia.
Na manhã desta sexta (15), autoridades realizaram uma operação de busca no que seria o apartamento de Bouhlel. Segundo o jornal "Nice Matin", o local não é o domicílio atual do homem, mas o antigo apartamento que ele dividia com a mulher e os filhos, antes de sair após denúncias de violência conjugal. A mulher também teria sido detida pela polícia. De acordo com a agência Associated Press, o casal estava em processo de divórcio.
De origem tunisiana, Bouhlel tinha visto de residência na França. Ele seria pai de três filhos, de acordo com a imprensa francesa, exercia a profissão de motorista e já teria cometido pequenos delitos, ainda que sua radicalização tenha passado desapercebida ?seu nome não estava listado na chamada "ficha S", reservada aos indivíduos considerados como possíveis ameaças pelo governo francês.
Pela manhã, os relatórios de atividades divulgados por extremistas da facção Estado Islâmico nas redes sociais não mencionavam nenhum ataque a Nice. Um áudio em árabe, acompanhado de transcrição, elencava diversas atividades terroristas ?por exemplo, na Síria e no Iraque? mas silenciava sobre a França.
Esse não é o primeiro atentado que, apesar da suspeita, não é reivindicado pelo Estado Islâmico. Segundo analistas, isso pode ser uma estratégia, com a facção beneficiando-se da especulação, ou sinalizar um ataque sem vínculo com a liderança do EI.
ESTADO DE EMERGÊNCIA
O presidente da França, François Hollande, está em Nice para acompanhar as investigações sobre o caso. Após o ataque, ele prorrogou o estado de emergência no país por mais três meses. Além disso, foi decretado luto oficial de três dias.
"A França como um todo está sob ameaça do terrorismo islâmico. Nós temos que demonstrar absoluta vigilância e uma determinação inabalável", disse o mandatário. O estado de emergência dá poderes extras de detenção para a polícia e amplia outras medidas de segurança no país.
O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, afirmou nesta sexta-feira (15) que o país vive "uma nova era" e que a "França terá de conviver com o terrorismo". Já André Jacob, ex-chefe do departamento de segurança contra terrorismo da Bélgica, disse que este tipo de atentado é "impossível de prevenir, mesmo se houver pistas [dos ataques]".
MAIS DE 50 CRIANÇAS HOSPITALIZADAS
O atentado desta quinta foi o que deixou mais mortos em solo europeu desde a série de ataques de novembro em Paris. Mais de cinquenta crianças foram levadas ao hospital pediátrico de Nice, o Fondation Leval, e duas delas morreram na manhã desta sexta durante intervenções cirúrgicas. "Outras estão entre a vida e a morte", disse a porta-voz do hospital.
A maioria das vítimas adultas foi transferida ao Hospital Pasteur, na mesma cidade. Entre elas, estão alemães, americanos, um russo, um armênio, um ucraniano e um suíço.
Segundo Hollande, mais de 50 vítimas do ataque ainda estão "entre a vida e a morte".
