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Agente da PF é preso sob suspeita de passar informações a contrabandistas

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WÁLTER NUNES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma missão de dez policiais do Comando de Operações Táticas, tropa de elite da Polícia Federal, foi de Brasília para Ribeirão Preto (SP), no último sábado (9), para prender o agente Moacir de Moura Filho, conhecido pelos colegas de PF como Cabelo.

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O agente trabalhava no setor de inteligência da Polícia Federal em Ribeirão Preto e é acusado de abastecer com informações policiais uma das maiores quadrilhas de contrabandistas do país. Moura foi levado para a Brasília, onde permanece detido.

A prisão do agente estava sendo mantida em segredo pela Polícia Federal. O departamento de análise ao qual Moura fazia parte, em Ribeirão Preto, foi desativado e as investigações que corriam ali foram distribuídas para outras delegacias da região.

A prisão de Cabelo é desdobramento da Operação Celeno, que foi deflagrada no dia 16 de junho. Na ocasião a PF cumpriu 138 mandados judiciais, sendo 28 de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva e 77 de busca e apreensão.

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Sete aviões monomotores foram apreendidos -outros quatro já haviam sido apreendidos antes da operação. Os mandados foram cumpridos em cidades do Paraná, Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais. Naquele dia 360 policiais participaram da ação.

"Avaliamos que a quadrilha movimentava mais de R$ 3 bilhões por ano. Eles usavam 12 aviões que voavam diariamente até duas vezes por dia trazendo produtos do Paraguai para o Brasil", diz o delegado Alexander Noronha Dias, da Polícia Federal do Paraná. As mercadorias contrabandeadas variavam de aparelhos eletrônicos, como notebooks, até medicamentos e anabolizantes.

A PF chegou ao agente ao detectar que um dos líderes da quadrilha era primo de Moura. Os investigadores então informaram ao departamento de contrainteligência, responsável por investigar servidores da PF que cometem delitos. A região de Ribeirão Preto, onde Moura trabalhava, é uma das principais rotas de aviões de contrabandistas e traficantes por conta da posição geográfica e dos canaviais, que facilitam o disfarce de pistas de pouso e decolagem.

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Os aviões da quadrilha saiam de Salto Del Guairá, no Paraguai, e voavam até pistas clandestinas na região de Ribeirão Preto. Dali a mercadoria era escoada para entrepostos de armazenamento e transportadas por caminhões e carros até os mercados consumidores. Cada avião levava até 600 quilos de mercadorias avaliadas em US$ 500 mil.

A Polícia Federal não quis se manifestar sobre a prisão do agente já que a investigação contra ele corre sob segredo de justiça. A reportagem não conseguiu contato com nenhum advogado do agente. Questionada, a PF não deu informações sobre as alegações dele diante da prisão nem revelou quem é seu defensor.

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