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Monge budista reveza orações e treinos por Jogos Olímpicos

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SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Desde o último domingo (10), o japonês Kazuki Yazawa, 27, deu início à fase final do seu treinamento para a disputa dos Jogos Olímpicos.

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Ele acorda cedo, veste a roupa de monge budista e reza por cinco vezes até o meio da tarde. A partir daí, Yazawa deixa o templo Daikanjin e segue em direção ao rio Saigawa, onde rema por uma hora e meia na canoa.

Com essa rotina de treinamento inusitada, o japonês acredita que vai subir no pódio olímpico de Deodoro no próximo mês na canoagem slalom.

"Estou aqui para vencer os Jogos", afirmou Yazawa, enquanto devorava na sexta (8) um prato de macarrão do Spoleto, numa praça de alimentação de um shopping de Guadalupe, no subúrbio do Rio. Ele acabara de fazer o seu último treino na corredeira artificial construída para os Jogos.

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De noite, ele deixaria o Brasil com a delegação japonesa. Enquanto seus companheiros de equipe seguiriam para países do leste europeu, berço dos grandes canoístas, Yazawa voltaria para o Daikanjin, que faz parte do famoso templo de Zenkoji, erguido há 1400 anos, na cidade de Nagano.

"Me sinto mais forte lá. Vai ser bom ficar esses dias treinando e orando", disse o japonês, que disputará os Jogos Olímpicos pela terceira vez, a primeira após se converter ao budismo em 2013.

Em Pequim-08, ele ficou em 18º lugar. Já em Londres-12, Yazawa terminou a competição na nona colocação -melhor resultado de um canoísta japonês na história dos Jogos.

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Por causa dos compromissos religiosos, ele treina somente no final da tarde. "O importante é treinar enquanto me divirto", contou o japonês, que se converteu ao budismo quando começou a planejar o que faria após encerrar a carreira.

Yazawa disse que os conselhos de Kenei Koyama [que também foi monge], comandante da associação de canoístas da sua cidade, foram fundamentais para se tornar monge budista.

"Quero no futuro ajudar atletas com problemas assim como faz o Koyama", disse o canoísta.

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A canoagem slalom é tradição na família do japonês. Sua irmã, Aki Yazawa, 24, também vai disputar os Jogos do Rio. Ela não é religiosa e optou por completar a fase final de treinos na Eslováquia.

Apesar de seguir a rotina de orações do templo, o japonês não esconde que se sente mais confortável dentro de uma canoa.

"Ainda não me acostumei a sentar sobre os calcanhares dos pés", brincou Yazawa, que desembarca no Rio no final do mês para tentar o ouro olímpico.

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