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Repercussão da morte do cineasta Hector Babenco

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Paul Auster, escritor

"Embora tenha encontrado Hector cinco ou seis vezes em toda a minha vida, sempre gostei de estar com ele. Seus filmes eram bons, alguns muito bons. Era um cineasta poderoso. É difícil fazer cinema independente, também trabalhando na cena internacional. Sempre fiquei surpreso que seus filmes não tenham ganhado mais atenção. Fiquei surpreso, por exemplo, que "Carandiru" não tenha feito mais sucesso -era um milagre esse filme ter sido feito depois da doença de Hector. Sinto muito ouvir a notícia da sua morte. Respeitava muito seu trabalho, fico triste de dizer adeus a ele. Tantas pessoas da minha geração estão me deixando, é uma pena que Hector tenha se juntado a elas.

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Anna Muylaert, diretora

"Ele foi um dois grandes nomes do cinema brasileiro, tinha uma grande cultura na área de cinema. Era um cara muito vivaz, uma alma de criança no cinema. Sua morte vem num momento em que ele havia acabado de lançar um filme autobiográfico, que fala sobre a própria morte. Parece que, de alguma maneira, o Babenco controlou o "timing" da sua vida, como só um grande diretor poderia fazer. Ele era um monumento ao cinema, perdemos uma grande cabeça."

Bruno Barreto, diretor

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"De todos os cineastas brasileiros, o Hector era com quem eu mais me identificava. Também era o único cineasta realmente meu amigo, até por uma questão geracional. Somos da geração pós-cinema novo. Ele vai fazer uma grande falta porque a humanidade de seus filmes é difícil de encontrar em outros cineastas no mundo. Será sempre lembrado por isso, e pelo o carinho que tinha por seus personagens. Ele olhava os personagens com todas as suas complexidades. Em seus filmes, ninguém era totalmente bom ou totalmente ruim. Estou muito triste. Babenco era um grande companheiro."

Tata Amaral, diretora

"Ele significava muito para o cinema nacional. Significava tudo. Fez um grande filme, "O Beijo da Mulher-Aranha", que se tornou um ícone do cinema brasileiro -não apenas trouxe uma história impressionante da ditadura, como trouxe Sonia Braga. Hector projetou o cinema nacional para fora de forma muito forte. E seus últimos filmes são tão bonitos. "Meu Amigo Hindu", o último, é lindo.

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Cao Hamburger, diretor

Diria que, só pelos seus quatro primeiros filmes, ele já é o maior. O "Brincando nos Campos do Senhor" é uma obra-prima e o americano "Ironweed"... ele alcançou nível de potência cinematográfica muito rara, principalmente nesses filmes. É uma referência, sempre presente nas discussões, e o convívio com ele sempre foi muito rico.

Walter Carvalho, diretor

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"Estou no meio do fogo cruzado com o impacto dessa notícia. É como se ele e o Abbas Kiarostami tivessem marcado um encontro. Um encontro para falar da vida usando a linguagem universal do cinema. São dois sangues quentes que sempre voltaram suas lentes e suas histórias para a vida do homem. Neste momento, eles já devem estar falando de uma possível paz entre os povos diferentes que eles representavam; o Babenco como judeu e o Kiarostami como muçulmano. Eles devem estar pensando em um projeto sobre essa paz, no sentido de respeito pelo outro. Porque só o cinema pode juntar essas duas entidades num só lugar. É o cinema que tem essa linguagem universal. Parece que os dois combinaram."

Claudio Assis, diretor

"Foi muito importante para o cinema brasileiro. Deixa um vazio. O Hector tem uma obra muito importante, foi fundamental nos anos 1980. Ele ainda tinha muita coisa para fazer. Estava cheio de energia. Acho que é uma perda muito grande, de coração."

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Cacá Diegues, diretor

"É uma grande perda. Ele não foi só um grande cineasta, mas também um grande homem em nossas vidas. Sempre foi muito rigoroso, muito direito, uma pessoa boa de se conviver, muito sincero. Era um amigo muito querido, desses em que a gente pode ter confiança. Estou muito chateado."

Paulo Morelli, diretor

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"Foi um dos grandes nomes do cinema brasileiro, com uma obra consistente, profunda e sincera. Vai fazer falta porque era uma pessoa muito intensa. Era sempre um prazer encontrar com ele e vê-lo falando e pensando com muita clareza e intensidade. Era uma grande pessoa e um grande cineasta -uma combinação difícil que ele tinha."

João Jardim, diretor

"Lembro do impacto que tive quando assisti a "O Beijo da Mulher Aranha". Foi um dos primeiros filmes latino-americanos que me deixou completamente atordoado. Babenco foi importante pela ousadia, pela coragem. A escolha dos temas para seus filmes sempre me chamou atenção. Ele teve coragem de falar de coisas muito interessantes. Era uma pessoa preocupada com as coisas certas."

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Mariza Leão, produtora

"Fui trabalhar em "Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia". No meio do processo, o figurinista e cenógrafo saiu do filme. Eu, completamente virgem, assumi esse lugar. Não tenho o menor talento para essa área, mas era jovem e apaixonada. O encontro [com Babenco] foi muito marcante na minha vida. Era um diretor obstinado, sem restrições, medo ou meios caminhos. Se precisasse subir o Himalaia para fazer um filme, ele subia. Se ele quebrasse a perna no caminho, ele botava uma tala e seguia em frente. Essa obstinação está expressa na obra dele."

Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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"Era uma pessoa muito autêntica, muito forte, com um talento absoluto. Fez uma obra que tinha muito da sua personalidade. Éramos amigos há 20 anos. Me dá até uma tranquilidade, porque sei que ele estava muito feliz. A imagem que eu tenho dele é [de uma pessoa] muito satisfeita. Todos os seus filmes têm uma assinatura muito forte. O Hector era um cineasta com estilo, que não se ligava a fórmulas."

André Ristum, diretor

"Hector era um gênio. O último filme que assisti, 'Meu Amigo Hindu', mostra que ele conseguiu se reaproximar do melhor cinema dele. Era um diretor intenso, sensível, com grande capacidade de realização. Um verdadeiro exemplo de amor ao cinema. Dá para ver esse amor não apenas pelos filmes dele, pela sua dedicação, mas também pelas pessoas que trabalharam com ele e que o tinham como referência. Era extremamente cuidadoso, meticuloso no trabalho."

Alfredo Manevy, diretor da SP Cine

"Babenco conseguiu dialogar com o grande público ao mesmo tempo que trabalhava com uma dramaturgia muito sofisticada. Ele desbravou um caminho importante e contribuiu para que o cinema brasileiro tivesse uma conexão com a sociedade, além de ter ganhado reconhecimento aqui e no exterior. Babenco também mexeu com questões de interesse do Brasil, como a Amazônia e as questões urbanas, e em como o mundo vê o país. Além de tudo, ajudou a consolidar grandes atores, como Sonia Braga. Era um grande diretor de atores, muito rigoroso na seleção do elenco. Com ele, os atores sempre chegavam a um patamar de excelência."

Marcos Jorge, diretor

"O Hector é sem dúvida um autor fundamental. Fez filmes que marcaram sua época e influenciaram outros realizadores. "Pixote" influenciou todo o cinema brasileiro. Era um grande cineasta e uma grande pessoa. O Brasil perdeu um de seus grandes pensadores. Através do cinema, ele pensava a gente. Vai fazer muita falta."

Ana Carolina, diretora

"Nós éramos da mesma geração e muito amigos. Eu acho o Hector uma força da natureza. Ele tinha uma capacidade de trabalhar extraordinária. Sempre teve muita percepção do alvo que ia atingir, e atingia. Era uma grande figura e fez um bem extraordinário para o cinema brasileiro. Foi um dos primeiros caras a dar um grande salto e sempre caiu de pé."

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