Após derrota em disputa marítima, China amplia tensão no mar do Sul
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após sofrer uma derrota na disputa do mar do Sul da China, o governo de Pequim ameaçou com a possibilidade de estabelecer uma zona de identificação e defesa aérea na região, o que escalaria ainda mais a tensão na área.
"A respeito de estabelecer uma zona de identificação e defesa aérea no mar do Sul da China, o que temos que deixar claro é que a China tem o direito... Mas, se vamos precisar de uma no local, isso vai depender do nível de ameaças que enfrentaremos", disse o vice-ministro de Relações Exteriores, Liu Zhenmin, em Pequim, nesta quarta-feira (13).
Em 2013, em meio a tensões com o Japão, o país estabeleceu uma zona semelhante no mar do Leste, demandando que toda aeronave que entrasse no espaço delimitado notificasse aos autoridades chinesas -ou ficasse sujeita a "medidas militares de emergência".
Também nesta quarta (13), a agência estatal de notícias Xinhua informou que duas aeronaves civis chinesas pousaram em pistas novas construídas em duas pequenas ilhas no mar do Sul da China (nas ilhas Spratly).
A fala de Zhenmin e o anúncio da Xinhua são parte da reação chinesa ao entendimento de um tribunal de arbitragem em Haia, divulgado nesta terça (12), que decidiu contra a China em um caso levado à corte pelas Filipinas.
O tribunal afirmou que a China não tem base legal para reivindicar a maior parte do mar do Sul da China como "direitos históricos".
Também disse que os chineses violaram direitos dos filipinos na área e destruíram recursos naturais.
A decisão é de cumprimento obrigatório, mas não há mecanismos previstos para forçar os chineses a cumpri-la e reduzir o controle sobre as águas na área.
Espacialistas acreditam, no entanto, que a pressão internacional fará com que a China se sente para negociar com os países envolvidos -além das Filipinas, Taiwan, Malásia, Brunei e Vietnã reivindicam controle sobre o mar.
"Esperamos que, após a tempestade sobre essa arbitragem passar, e o céu clarear, esse dia [de negociações] chegue logo. Mas, apesar de o dia poder chegar, ainda temos que esperar", disse o ministro chinês, que acenou com "benefícios tangíveis" para os filipinos em cooperação com a China.
