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Equador manda de volta a Cuba 75 pessoas que tentavam chegar aos EUA

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governo do Equador deportou desde o último sábado (9) 75 imigrantes cubanos de um grupo de 150 pessoas que estavam acampadas nas ruas da capital Quito tentando chegar aos Estados Unidos.

A decisão do presidente Rafael Correa foi criticada por grupos de direitos humanos e vista por opositores como um aceno ao regime do ditador cubano, Raúl Castro, de quem o equatoriano é aliado.

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O grupo de cubanos montou barracas desde o fim de junho na porta da embaixada do México em Quito, pedindo ao país que concedesse um visto humanitário que os permitisse viajar por terra ao território americano.

A permissão que eles exigiam é a mesma concedida pelos mexicanos aos cubanos que ficaram retidos no Panamá e na Costa Rica após a Nicarágua -cujo presidente, Daniel Ortega, é outro aliado de Havana- bloquear o acesso ao norte no final de 2015.

Segundo o Ministério do Interior equatoriano, 29 cubanos foram enviados a Havana no sábado (9) e 46 na segunda (11). Outras 48 pessoas terão seus processos analisados nos próximos dias e 29 foram liberadas pela polícia.

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Em nota, o governo disse que as deportações foram feitas "respeitando o devido processo, respeitando os direitos humanos de forma irrestrita e confirmando o perfeito estado de saúde" dos cubanos.

Nesta terça (12), 40 imigrantes remanescentes foram levados do centro de detenção ao tribunal. Na porta da corte, manifestantes gritavam frases como "Justiça, justiça e liberdade!" e "Nenhum ser humano é ilegal".

Os ativistas de direitos humanos pediram para participar da audiência, mas foram impedidos pela tropa de choque da polícia. Eles também foram impedidos de terem contato com os estrangeiros.

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Advogado de defesa, Juan Pablo Albán disse que a deportação é uma "expulsão coletiva de pessoas, que é um delito contra os direitos humanos". "Havia casos de pessoas já com habeas corpus, mas que foram expulsas", disse.

A ONG Human Rights Watch denunciou a expulsão dos cubanos como "uma violação à lei internacional, que impede o retorno de refugiados a lugares onde suas vidas podem estar em perigo".

TRÁFICO HUMANO

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Em sua nota sobre o caso, o Ministério do Interior disse que a deportação dos cubanos foi parte de uma operação para desarticular uma quadrilha de tráfico de pessoas que atuava trazendo os caribenhos ao país.

O vice-ministro do Interior, Diego Fuentes, acusou a defesa dos imigrantes de criar polêmica. "Querem provocar uma história fictícia dizendo que as pessoas serão presas ou alvo de algum tratamento desumano", disse.

"Nós provaremos, em seu momento, como essas pessoas chegam a seu país de origem e são transportadas a seus lugares de domicílio. Trabalhamos junto com a embaixada de Cuba."

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Em comunicado no jornal estatal "Granma", o regime cubano disse que os 75 deportados passaram por inspeções sanitárias antes de serem levados a suas províncias, mas sem dar detalhes sobre a liberdade ou prisão deles.

"A deportação destes cidadãos se realizou com total apego ao estabelecido na legislação de ambos os países e nas normas internacionais", disse a Chancelaria cubana, que acusou os EUA de incentivarem o tráfico humano.

Desde 1966, a Lei de Ajuste Cubano permite que os cubanos tenham permissão de residência e trabalho a todos os cidadãos do país que chegam ilegalmente aos EUA, estimulando saídas ilegais pelo mar ou por terceiros países.

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O Equador era um dos poucos países latino-americanos que permitia a entrada dos cubanos sem visto, motivo pelo qual muitos deles viajavam a Quito antes de ir aos EUA. A exigência de visto foi recolocada em dezembro.

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