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Mal-estar moderno explica sucesso do horror na TV, diz produtor de 'Outcast'

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GABRIELA SÁ PESSOA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quando Robert Kirkman, criador da franquia "The Walking Dead", anunciou que faria uma nova série (de TV e quadrinhos) sobre exorcismo, uma pergunta soou em uníssono: Kirkman daria aos demônios o mesmo protagonismo pop que os zumbis alcançaram nos últimos seis anos?

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"Outcast" estreou em maio pelo canal pago Fox e sua popularidade ainda é incomparável à de "Walking Dead", que caminha para a sua sétima temporada em outubro. A crítica estrangeira também se dividiu. Houve quem reclamasse que não seja chocante o suficiente -o programa começa com uma criança esmagando uma barata com cabeçadas na parede e devorando-a, embebida em sangue.

E houve quem elogiasse a maneira como o roteiro alinhava os dramas pessoais do exorcista Kyle (Patrick Fugit), um jovem atormentado por demônios desde a infância, com a missão de ajudar o reverendo da interiorana cidade de Rome a extirpar as possessões que voltam a assolar a população local. Tudo isso enquanto supera um divórcio e tenta se encaixar numa vida comum.

"Um cowboy calado, um homem do sul dos EUA. Aquele tipo de cara que não dizem muito, mas são expressivos apenas sendo quem são", diz Fugit. Ou, como o ator mesmo compara, como se os personagens de Steve McQueen e Paul Newman encontrassem Max von Sydow, o padre Merrin de "O Exorcista" (1973).

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"Outcast", porém, pretende ir além de expulsar entidades em casos pontuais, como na maioria das produções: um padre chega, empunha seu crucifixo e fim da história. Robert Kirkman não apenas quer expulsar todos os demônios do mundo, mas entender a origem de sua atormentada relação com os humanos, teoriza Chris Black, produtor da série.

"A história que ele queria contar em uma longa narrativa para a TV é por que ninguém nunca olhou para isso como um problema que pode ser resolvido. Por que essas coisas aparecem? O que elas querem? E o que podemos fazer para impedi-las de reaparecer, de tempos em tempos? Sabe, nos filmes de exorcismo, parecem tratar o sintoma, mas não a doença. Robert quis chegar à raiz do problema, e encontrar uma cura", comenta Black.

Ao menos culturalmente, o produtor comenta que alguns sintomas parecem explicar a "doença" que histórias de terror geram na audiência. Assim como os demônios, de tempos em tempos narrativas como "Outcast" e "The Walking Dead" voltam a se espalhar pela televisão -neste ano, foram ao ar "Fear The Walking Dead", "Penny Dreadful", "American Horror Story" e o retorno de "Arquivo X".

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"Há muitas razões para isso. Num nível básico, a audiência sempre responde: as pessoas amam horror. As coisa são um tanto cíclicas, os vampiros serão sempre atuais, e em algum momento os zumbis, depois as produções sobre possessão."Mas há algo mais profundo, cultural? Há algum mal-estar na nossa cultura agora que faz das possessões por demônios uma espécie de alegoria para a América depois do 11 de setembro? Há algo no nosso mundo agora, na última década, que deixou as pessoas tão desconfortáveis que esse tipo de horror é mais ressoante do que o passado? Talvez", analisa Black.

NA TV

OUTCAST

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QUANDO dom., às 23h, na Fox

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