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Veterano de guerra, atirador de Dallas queria matar policiais brancos

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Micah Xavier Johnson, identificado como o franco-atirador que matou cinco policiais e feriu outros sete em Dallas, Texas, na quinta (7), era um veterano do Exército americano, que serviu no Afeganistão.

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Segundo o chefe da Polícia de Dallas, David Brown, o jovem disse que queria "matar brancos, sobretudo agentes brancos" antes de ser morto.

Ele afirmou estar "aborrecido", segundo Brown, com a morte de dois negros, em Louisiana e Minnesota, abatidos por policiais brancos nesta semana.

Por Alton Sterling, 37, e Philando Castile, 32, que viraram novos símbolos da violência policial contra a comunidade afroamericana, milhares marcharam pacificamente em várias cidades dos EUA.

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Por volta das 20h45 locais (22h45 em Brasília), Johnson abriu fogo contra um grupamento de cem homens que escoltava um desses atos, com cerca de 800 manifestantes, a poucas quadras da praça onde John F. Kennedy foi assassinado, em 1963.

Quase três horas depois da primeira rajada de tiros, negociadores começaram a tentar convencê-lo a se entregar, no segundo andar de um edifício-garagem.

"O atirador respondeu que o fim estava próximo e que ele machucaria e mataria mais de nós, e que havia bombas espalhadas pelo centro da cidade [local do atentado]", afirmou Brown.

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Johnson foi morto por um "robô-bomba", comandado à distância e armado com explosivos, segundo o chefe de polícia.

Outros três suspeitos estão sob custódia -dois foram detidos a bordo de uma Mercedes preta, perseguida em alta velocidade por viaturas.

A relação do trio com o ataque mais mortal a forças policiais americanas desde os atentados de 11 de setembro de 2001 ainda não foi esclarecida. Acredita-se que Johnson foi o único a apertar o gatilho.

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"Não podemos entrar na cabeça de uma pessoa que faria algo assim", disse o chefe de polícia Brown, que também é negro.

"Negociamos com esta pessoa, que parecia lúcida. Ele expressou a vontade de matar brancos, sobretudo policiais brancos, e expressou raiva contra o Black Lives Matter [movimento que luta pelos direitos dos negros]. Nada disso faz sentido."

SOLDADO

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Das poucas informações colhidas até aqui sobre Micah Xavier Johnson, há duas fotos dele postadas em redes sociais: uma com farda militar e outra de punho erguido e bata típica de vestes africanas.

Ele morava com a mãe numa casa que aparenta ser de classe média, em Mesquite, cidada texana com 144 mil habitantes e população mais diversificada do que a média nacional: 36% brancos, 34% hispânicos e 26% negros.

Sua passagem pelo Exército, no batalhão de reserva, durou de 2009 a 2015, confirmaram autoridades ao "Wall Street Journal".

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Por nove meses entre 2013 e 2014, ele serviu no Afeganistão. Era filiado à brigada 420, baseada no Texas, e especializou-se em carpintaria e alvenaria.

Soldados nesse posto passam por dez semanas de treinamento básico, nas quais aprendem a usar armas. Johnson acumula condecorações militares e não tinha antecedentes criminais nem conexões com terrorismo.

Sua página no Facebook foi retirada do ar após a chacina. Sua mãe, segundo a mídia local, chama-se Delphene Johnson.

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Em seu perfil no Facebook, ela postou em 2010 uma foto de um garotinho sorridente, com camisa de beisebol verde e branca. "Meu primogênito Micah, 2", diz a legenda.

No mesmo ano, Delphene publicou um retrato do filho já adolescente, agachado diante de um carro velho. Na caixa de comentários, amigos disseram estar rezando por sua família.

A polícia americana matou 509 pessoas em 2016, segundo banco de dados do "Wasghinton Post". Do total, 123 (24%) eram afroamericanos —que representam 13% da população do país.

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Das 45 mortas no Texas, dez delas eram negras. Johnson ainda não entrou na estatística.

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