Violência racial não pode ser 'novo normal' dos EUA, diz secretária
MARCELO NINIO
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A secretária de Justiça dos EUA, Loretta Lynch, "implorou" aos americanos nesta sexta (8) que não permitam que a violência desta semana não se torne um "novo normal" no país.
Foi o primeiro pronunciamento de Lynch depois da morte de cinco policiais por um franco-atirador em Dallas na noite de quinta. O ataque ocorreu durante um protesto pacífico contra a morte de dois negros por policias brancos esta semana, que foram documentadas em vídeo e viralizaram na rede.
"Depois dos eventos desta semana, americanos em todo o país estão sentindo impotência, incerteza e medo. Esses sentimentos são compreensíveis e justificáveis. Mas violência nunca é a resposta", afirmou a secretária de Justiça. "Eu imploro a vocês, não permitam que esta semana precipite um novo normal neste país."
Ocorridas a centenas de quilômetros de distância e em diferentes circunstâncias, as mortes a tiros da polícia de Philando Castile, 32, e Alton Sterling, 37, desencadearam manifestações como a de Dallas em várias cidades do país, em protesto contra a violência policial sofrida pela comunidade negra. Apesar do ataque em Dallas, o direito ao protesto continuará sendo garantido, disse Lynch.
"Quero que saibam que sua voz é importante. Não fiquem desencorajados por aqueles que usam suas ações legais como fachada para violência hedionda. Nós continuaremos a garantir seu direito constitucional", afirmou.
A resposta, afirmou a secretária de Justiça, não é mais violência, mas uma "ação calma, pacífica e colaborativa", a fim de construir laços de confiança entre as comunidades e a polícia, garantir que todos tenham o mesmo tratamento perante a lei e "encarar com firmeza a facilidade com infratores são capazes de colocar as mãos em armas mortíferas".
Embora protestos tenham se tornado comuns nos últimos anos, alguns violentos, o ataque aos policiais em Dallas é a reação mais mortífera ao aumento da violência policial, que atinge de modo desproporcionalmente maior a comunidade negra. Segundo levantamento do jornal "Washington Post", o número de mortes por policiais está em alta, subindo de 465 no primeiro semestre de 2015 para 491 no mesmo período deste ano.
Loretta Lynch alertou para o perigo de que a série de eventos trágicos da última semana leve a uma explosão de violência, apelando à união dos americanos.
"Acima de tudo, precisamos rejeitar os impulsos fáceis de amargura e rancor e abraçar o difícil, mas importante e vital trabalho de achar um caminho juntos. Acima de tudo, precisamos lembrar a nós mesmos, somos todos americanos", disse. "E como americanos, nós compartilhamos não apenas uma terra, mas uma vida em comum."
Mais cedo, o presidente dos EUA, Barack Obama, que está na Polônia, também comentara o ataque aos policiais em Dallas, que chamou de "cruel, calculado e desprezível".
