Funcionários de Vila de Mídia da Rio-2016 fazem paralisação
MARCEL MERGUIZO E PAULO ROBERTO CONDE, ENVIADOS ESPECIAIS
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Cerca de 30 funcionários que trabalham em uma das vilas oficiais que hospedam jornalistas e profissionais de mídia para os Jogos Olímpicos do Rio protestaram por não receberem salários corretamente e fizeram uma paralisação na manhã desta sexta-feira (8).
As reclamações, vindas sobretudo de camareiros, responsáveis pela rouparia e mensageiros, giraram em torno de supostos descontos indevidos e más condições de trabalho. A vila em questão fica na estrada de Camorim, a cerca de três quilômetros do Parque Olímpico da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio. Ao todo, ela tem 1.350 quartos para profissionais de mídia, divididos em nove prédios.
Eles foram contratados em 3 de junho pela empresa MSM - Serviços Gerais, cujo nome fantasia é Jani King. Trata-se de uma prestadora de serviços da ITC, contratada pelo comitê organizador Rio-2016.
Os funcionários têm contrato de três meses, carteira profissional assinada, e afirmaram que deveriam ter recebido o primeiro contracheque no quinto dia útil de julho -nesta quinta-feira (7), portanto. O salário dos camareiros é de R$ 1.433, mas alguns deles disseram ter recebido apenas 10% do valor.
"Não tem lugar para dormir, para comer. Falaram até que a gente precisava atravessar a rua quando um hóspede passasse por nós. Somos tratados como bichos", afirmou Karolyne Soares da Silva, 18, que contou ter recebido cerca de R$ 1.000.
"Fui contratado como camareiro e fiz até pós-obra", complementou Gabriel Galdino, 20, referindo-se ao trabalho de montagem de móveis que diz ter realizado.
Casiane dos Santos, 20, reclamou do fato de usar roupa de limpeza, mesmo sendo encarregada de arrumar quartos. Colegas dela se queixaram de que os trabalhadores não tinham lugar para descansar e que a marmita que recebiam era de baixa qualidade.
"Todo dia é frango, caroço de feijão, até pedaço de tijolo uma camareira já encontrou na quentinha. Muitas vezes só tem água", disse uma funcionária que não quis se identificar. Outra, que também pediu para não ter o nome divulgado, disse que recebeu R$ 47 pela semana de trabalho na Vila de Mídia.
OUTRO LADO
Marcelo Seabra e Irene Rodrigues, funcionários da Jani King, disseram que os pagamentos foram realizados de maneira correta.
"Vamos esclarecer os fatos individualmente. Todos receberam conforme os dias trabalhados. Mas há descontos e muitos tiveram faltas", disse Seabra à reportagem. "Não houve erro nos pagamentos".
Irene negou que os funcionários tenham exercido mais do que uma função no empreendimento. "Os camareiros não foram designados para trabalhar no pós-obra, somente na limpeza fina".
Alguns funcionários cruzaram os braços pela manhã e outros disseram à reportagem que estavam deixando a Vila sem realizar o trabalho do dia.
