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Polícia do Rio matou 25 pessoas para cada policial morto em 2015, diz ONG

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A polícia do Rio de Janeiro matou mais de 8.000 pessoas na última década -ao menos 645 delas em 2015-, segundo relatório da ONG Human Rights Watch divulgado nesta quinta-feira (7).

A pesquisa mostra que a polícia matou 24,8 pessoas para cada policial morto apenas em 2015. Segundo a ONG, a proporção é mais que o dobro do que na África do Sul e três vezes maior do que a dos EUA.

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Entre 2013 e 2015, a polícia do Rio matou cinco vezes mais pessoas do que feriu em supostos confrontos com bandidos. Muitas desses homicídios cometidos por policiais foram resultado de uso ilegal de força letal, aponta a ONG no relatório intitulado "O Bom Policial Tem Medo': Os Custos da Violência Policial no Rio de Janeiro".

"O Rio enfrenta um problema sério de criminalidade violenta, mas executar suspeitos não é a solução", diz Maria Laura Canineu, diretora da Human Rights Watch no Brasil.

A ONG ouviu depoimentos de 30 policiais sobre esse assunto. Dois deles admitiram ter cometido execuções. O relatório descreve como esses crimes são encobertos. A ONG encontrou provas de 64 casos desse tipo. Ao todos, eles provocaram a morte de 116 pessoas.

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A entidade também critica a impunidade aos policiais envolvidos. "Ao não investigarem adequadamente as execuções extrajudiciais, as autoridades não apenas negam justiça aos familiares das vítimas, como também fazem um grande desfavor à força policial do Rio", diz Canineu.

"Enquanto persistir a impunidade, alguns policiais continuarão cometendo execuções extrajudiciais, tornando o trabalho de policiamento no Rio mais difícil e perigoso para os demais".

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O relatório aponta ainda que não foi totalmente cumprido o compromisso das autoridades de melhorar a segurança pública no Rio com vista aos Jogos Olímpicos.

O principal instrumento desse compromisso foi a implementação da política de UPP (Unidade de Polícia Pacificadora), que busca ter uma abordagem de policiamento de proximidade. O relatório mostra que apesar de a taxa de homicídio ter caído de mais de 1.300 em 2007 para cerca de 400 em 2013, o número voltou a crescer. Foram 322 em 2016, de janeiro a maio.

Segundo a ONG, as autoridades adotaram medidas para controlar o uso da força letal por policiais, mas medidas adicionais são necessárias. "Não se pode esperar que o policiamento de proximidade funcione quando a polícia continua a executar membros das comunidades que deveria proteger", diz Canineu.

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"Também não dá para esperar que policiais honestos tenham bom desempenho quando eles vivem em constante temor, não só com relação a membros de facções criminosas, como também dos próprios colegas policiais."

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