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Assalto cinematográfico no interior de SP ainda não tem suspeitos, diz polícia

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PATRICIA BONELLI

RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia depois de um assalto cinematográfico com explosão, mais de mil tiros disparados e saldo de dois mortos, a Polícia Civil de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo) disse ainda não ter pistas de quem são os suspeitos de arquitetar o roubo a uma empresa de transporte de valores e que esta informação custará tempo.

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"Ninguém acredite que do dia para noite nós vamos prender os bandidos, pois a preocupação não é pegar o formiguinha, mas quebrar a espinha dorsal da quadrilha, pois senão vai acontecer isso [assalto] em tudo quanto é lugar, colocando em risco a sociedade", afirmou o delegado João Osinski Júnior, diretor do Deinter 3 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (6).

O delegado estima que a quantia roubada chegue próximo de R$ 60 milhões, baseado nos valores de roubos anteriores. Ele disse acreditar que a quadrilha veio de São Paulo ou Campinas, cidades onde ocorreram crimes semelhantes.

A razão da suspeita é que as placas dos carros furtados envolvidos no episódio são destes municípios, além de que foi para lá a provável rota de fuga e também são destas cidades os suspeitos já presos. "Cada vez que eles vêm, trazem no mínimo 20, 30 homens, pois tem que ter know-how para fazer isso", disse o delegado.

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No vídeo é possível ouvir os disparos feitos pelo grupo durante roubo a empresa de valores É o quarto roubo do gênero em cidades paulistas desde novembro. Houve dois episódios em Campinas (novembro e março) e outro em Santos (abril). À exceção do caso de março, que atingiu a empresa Protge, nos outros três o alvo foi a Prosegur, incluindo o último roubo, em Ribeirão. Foram ao menos 15 ataques a veículos e empresas de transporte de valores em sete Estados.

Para o delegado, trata-se de uma quadrilha especializada e que pertence ao mesmo grupo que realizou os ataques em Santos e Campinas anteriormente. "Se você fizer uma análise do que vem acontecendo, não há dúvida nenhuma de que os mentores são os mesmos, já foram presas 18, 20 pessoas, mas as ações continuam porque a espinha dorsal da quadrilha não foi desarticulada".

'UM VIGIA SÓ?'

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Osinski questionou o conhecimento, pela quadrilha, da planta do prédio atacado, entre outros fatores. "Não vou criticar a empresa [Prosegur], mas como uma instituição dessa deixa uma quantia dessas com um vigilante só? Por que haviam três carros fortes na rua? Eles estavam lá porque ele [o vigia] não queria que alguém batesse com a retroescavadeira e derrubasse a parede. Então ele já sabia que iam assaltar". O nome deste funcionário não foi informado pela polícia.

Segundo o delegado, não se pode dizer quem está envolvido no crime, mas ele questionou também o fato de os criminosos terem explodido diretamente o fundo do cofre.

Para a solução da série de roubos a transporte de cargas, diz Osisnki, é necessário a colaboração da sociedade. "Todas as instituições tem que se integrar e trocar informações para combater isso. Não estou dizendo que está faltando integração, estou conclamando todo mundo a remar para o mesmo lado".

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Diretor regional do Sindforte (sindicato dos vigilantes), João Batista Marcon de Castro disse que os vigias ficaram muito assustados com a ação da quadrilha e se esconderam dentro da empresa. "Não tem como enfrentar um arsenal como o que os ladrões usaram. A disputa é muito desigual. Eles se escondem porque não há o que fazer num caso como esse", disse.

Em carros-forte deixados pela Prosegur em frente à empresa, havia marcas de metralhadora .50 que vazaram os dois lados da blindagem.

A reportagem procurou a Prosegur, que informou que irá se pronunciar ainda nesta quarta. Em entrevistas anteriores, a empresa confirmou que nenhum funcionário se feriu e que está colaborando com as investigações. A quantia levada não foi informada.

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