FBI não vai recomendar indiciamento de Hillary no caso dos e-mails
ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER
NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - O diretor do FBI (a polícia federal americana), James Comey, afirmou nesta terça (5) que não irá recomendar o indiciamento da virtual presidenciável democrata, Hillary Clinton, pelo uso de servidor privado para trocar cerca de 60 mil e-mails.
A secretária de Justiça dos EUA, Loretta Lynch, já sinalizou que acataria a orientação do FBI -anunciada há duas horas de o presidente Barack Obama embarcar para o primeiro comício conjunto com Hillary, na Carolina do Norte.
Na semana passada, um encontro entre Lynch e o ex-presidente Bill Clinton no aeroporto de Phoenix foi alvo de escrutínio. Os dois conversaram por cerca de meia hora, o que só se tornou público porque um repórter local soube da reunião.
Lynch diz que eles falaram sobre os netos do marido de Hillary, e não sobre a investigação em andamento.
Mesmo democratas lamentaram o "timing" do episódio, ante suspeitas de que Bill poderia tentar influenciar o rumo do caso, investigado por um ano.
Com a decisão, Hillary remove a segunda grande sombra que pairava sobre sua campanha para se tornar a próxima presidente dos EUA.
No fim de junho, um comitê no Congresso apresentou, após 24 meses e US$ 7 milhões, seu relatório final sobre a responsabilidade do Departamento de Estado na morte de quatro americanos (entre eles um embaixador) na Líbia, em 2012.
O documento repisou velhas críticas à atuação de Hillary no dia, mas não trouxe nada de novo contra ela.
CLINTONEMAIL.COM
A democrata era investigada por potencialmente violar regras federais: pelos quatro anos que foi secretária de Estado da gestão Barack Obama, deveria adotar o e-mail @state.gov, por lidar com informações sensíveis.
Preferiu vários domínios (entre eles, @clintonemail.com), acessados por aparelhos diferentes (era fã do BlackBerry), de acordo com o FBI.
Assim o fez "por uma questão de conveniência", para "alcançar pessoas mais rapidamente e manter contato regular com família e amigos", diz seção sobre o caso no site de sua campanha.
Comey afirmou que Hillary e subordinados que sabiam do servidor foram "extremamente descuidados", mas optou não pedir que o Departamento de Justiça a processe. Para o diretor, ela não recebeu ou enviou nenhuma mensagem classificada intencionalmente.
Dos 30.322 e-mails que ela entregou para os investigadores, 110 já continham material classificado no momento em que foram enviados ou recebidos, segundo o diretor do FBI. Oito deles carregavam informações ultrassecretas.
Isso contradiz a defesa de Hillary até aqui: ela dizia que conteúdos só foram considerados sensíveis depois -quando era chanceler, as informações não seriam qualificadas assim.
Ela fora criticada no passado por deletar metade dos e-mails -boa parte, afirmou, era spam.
Seu rival republicano nas eleições, Donald Trump, atacou no Twitter a deliberação da agência federal. "O diretor do FBI diz que Hillary Trapaceira comprometeu a segurança nacional. Nenhum indiciamento. Uau!"
