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Criticado por antecessora, Macri diz que Cristina deve se explicar à Justiça

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LUCIANA DYNIEWICZ

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Após ser criticado em um programa de TV por sua antecessora, Cristina Kirchner, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse que a ex-mandatária precisa dar seus esclarecimentos à Justiça.

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"Minha intenção é continuar me ocupando com o futuro. As coisas sobre o passado, sobre assuntos que tenham a ver com gestão e transparência, a Justiça resolve. Ela [Cristina] precisa resolver na Justiça e fazer seus esclarecimentos na Justiça", afirmou Macri nesta segunda (4) em Bruxelas, onde se reuniu com representantes da União Europeia.

O presidente destacou que não assistiu ao programa e defendeu a independência dos Poderes e a transparência. "Qualquer funcionário meu que tiver cometido qualquer ato que gere dúvida de transparência também terá que se esclarecer na Justiça, porque assim deve ser: Poderes independentes e sem impunidade."

Na noite de domingo (3), Cristina deu sua primeira entrevista desde que deixou a Casa Rosada, em dezembro. Em meio aos escândalos de corrupção que atingem seu governo, afirmou ser perseguida pela Justiça e atacou Macri.

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"Acredito que os 'neopobres' são decorrentes das políticas que estão sendo adotadas. O ajuste brutal das tarifas [de até 500% na água e na luz] era desnecessário", disse Cristina, referindo-se ao aumento de 3,6 pontos percentuais no números de argentinos em situação de pobreza nos três primeiros meses deste ano.

A ex-mandatária, que está sendo investigada por falsificação de documentos públicos e lavagem de dinheiro, além de responder a um processo por má administração de recursos públicos, acrescentou que vai propor à Justiça que se faça uma auditoria nas obras públicas de seu governo.

Parte dessa auditoria, porém, já foi realizada e indicou superfaturamento, segundo o presidente do órgão responsável pelas rodovias do país, Javier Iguacel. Em média, as obras tinham orçamentos 50% superior ao necessário, afirmou. "Já fizemos várias auditorias. Com toda a informação que há, é mais que suficiente para a Justiça trabalhar."

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Iguacel acrescentou que o órgão já apresentou as denúncias de superfaturamento, uma delas envolve Lázaro Báez. O empresário, amigo dos Kirchner desde a década de 1990, foi um dos principais vencedores de licitações enquanto a família esteve no poder (2003-2015).

Báez está preso há dois meses sob suspeita de lavagem de dinheiro. Na semana passada, dois juízes de segunda instância determinaram que se investigue a ligação do empresário com Cristina Kirchner.

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