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Iglesias anuncia fim de era para o Podemos, com menos 'sex appeal'

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FERNANDA GODOY

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Depois de atribuir o mau resultado nas eleições de 26 de junho ao "medo da novidade", o líder do Podemos, Pablo Iglesias, anunciou nesta segunda (4) que a legenda esquerdista surgida do Movimento dos Indignados se tornará um partido normal e perderá parte do seu "sex appeal".

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"Não somos mais 'outsiders'", decretou Iglesias. "Pode ser que ganhemos as eleições em quatro anos ou que levemos uma surra de proporções bíblicas", disse o candidato derrotado a premiê, em conferência promovida pela Universidade Complutense de Madri, de onde saiu o núcleo fundador do Podemos.

Iglesias, como a maioria desse núcleo, é cientista político, e foi nessa capacidade, também, que analisou os desafios diante do Podemos, partido criado há dois anos e meio.

Para Iglesias, as eleições do último dia 26, quando o Podemos teve 1 milhão de votos a menos do que esperava alcançar após fechar coligação com Esquerda Unida, "fecharam uma época política na Espanha".

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Em outubro de 2014, na primeira grande assembleia do Podemos, em Madri, Iglesias havia anunciado que "o céu se toma por assalto, não por consenso".

Posteriormente, em maio de 2015, o líder e ideólogo do Podemos afirmou, em artigo na "The New Left Review" intitulado "Entendendo o Podemos", que a Espanha vivia uma janela de oportunidade única para a ascensão de um partido como o Podemos.

Depois da decepção, Iglesias anuncia agora que é o momento de abandonar a guerrilha e entrar em uma guerra de posições.

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"Entramos em uma fase em que temos que nos converter em um partido normal, e isso tem enormes riscos", disse Iglesias, que agora vai liderar uma bancada de 71 deputados, a terceira maior da Câmara de Deputados, atrás apenas das do PP (Partido Popular, conservador) e do PSOE (Partido Socialista Operário Espanhol, social-democrata).

"Esse desafio me impressiona, me assombra, inclusive, porque passar a ser um exército regular não vai ser fácil, e ninguém garante que vamos nos sair bem", reconheceu Iglesias.

Para o líder do Podemos, o trabalho parlamentar "pode ser maravilhoso ou pode ser o caminho para o cretinismo político".

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"Conseguimos sobreviver graças ao fato de que tínhamos 'sex appeal'. Nossa capacidade de mantê-lo diminuiu", disse.

Iglesias estava acompanhado de seu coordenador de campanha, Iñigo Errejón, um dos principais nomes da cúpula do partido, e de Luis Alegre, cofundador do Podemos.

"Não está excluída a possibilidade de que o Podemos governe a Espanha, mas será outro Podemos, outra coisa. Mais previsível, menos sexy, e que gere menos medo e menos incerteza", afirmou Errejón.

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AVALIAÇÃO

O Podemos contratou uma pesquisa de opinião para tentar entender os resultados eleitorais, depois que todas as pesquisas de intenção de voto realizadas antes do pleito indicavam que o partido chegaria em segundo lugar, à frente do PSOE.

O resultado oficial, no entanto, deixou o Podemos com 14 deputados menos que o rival no campo da esquerda: o PSOE elegeu 85 deputados.

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Para a cúpula do Podemos, o medo de que o partido chegasse ao poder, agravado pelas incertezas geradas pela saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit), levou muitos possíveis eleitores a se absterem. O Brexit foi anunciado 48 horas antes da abertura das urnas na Espanha.

No programa "Fort Apache", do qual é apresentador, Iglesias disse que o Podemos é um partido visto com simpatia por botar os grandes partidos "em apuros". "Mas essa gente não votaria em nós se nos visse como possíveis ganhadores".

Segundo a interpretação de Iglesias, o reconhecimento de que o Podemos somente poderá governar na Espanha em aliança com o PSOE marca "um antes e um depois" na história do partido.

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Para fazer aliança não só com o PSOE mas com os partidos social-democratas da França, da Itália e de Portugal, será preciso defender uma plataforma "pouco erótica, mas viável", afirmou Iglesias no programa.

Acabou, segundo ele, a época em que o Podemos podia ser dar ao luxo de "impugnar" a atuação dos partidos tradicionais.

"Isso [a necessidade de alianças] impede essa impugnação populista maravilhosa que podíamos nos permitir nas eleições europeias [de 2014], quando nosso objetivo era abrir espaço", concluiu Iglesias.

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