Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Geral

publicidade
GERAL

Vencedora do Nobel de Literatura diz que já enfrentou machismo

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

LÍGIA MESQUITA E MAURICIO MEIRELES, ENVIADOS ESPECIAIS

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Se o mercado editorial fosse comandado por mais mulheres, seria bem melhor, porque não há igualdade de gênero nesse setor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

A afirmação foi feita pela autora bielorussa Svetlana Aleksiévitch em entrevista coletiva na tarde deste sábado (2), antes de sua mesa na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty). A Nobel de Literatura é a grande atração do evento literário este ano.

Ela contou que uma vez viu a imagem de uma ministra da Defesa Civil na Suécia, em gravidez avançada, recebendo as tropas do país. "Se essas ministras da Defesa fossem mulheres, teríamos menos guerra e sofrimento no mundo."

Quando a jornalista começou a escrever sobre guerras, escutou que estava no lugar errado, já que em seu país espera-se que as mulheres façam poesias "sobre flor, amor". "Por ser mulher eu não poderia abordar esse tipo de tema pesado e sofrido, já que esta seria uma literatura masculina."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Svetlana pontuou outras diferenças entre relatos de homens e mulheres ao contar as entrevistas que está fazendo para seu próximo livro, sobre amor.

Ao conversar com um casal que já se separou, a mulher lembrou com detalhes a maneira como eles se conheceram. Disse que o ex caminhou por um cano com um buquê de flores. Ao ouvir isso, o antigo companheiro comentou: "Mas fui tão idiota assim?".

"Meu problema é encontrar a chave para a voz masculina. Talvez os homens não tenham inclinação para a sinceridade, para expressar sua relação com o amor, principalmente a uma mulher perguntando."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

LADO HUMANO

Sobre o papel da literatura, ela considera que qualquer cultura, assim como o jornalismo, precisa fortalecer seu lado humano. "Sou chamada de escritora das catástrofes, mas não me considero isso. Apenas coleciono a alma humana em cada situação difícil."

Falando novamente de igualdade de gêneros, ela disse que acha que o Brasil não deve estar tão distante disso porque o país tem ou teve ("Ainda não sei dizer) uma presidente mulher.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Svetlana contou que, ao conhecer correspondentes de guerra mulheres, sempre teve a impressão que a cobertura jornalística feita por elas era melhor que a dos homens.

"Na minha terra, os meninos são educados nessa cultura da guerra, como se fosse algo normal ou inevitável. Mas, para as mulheres, a guerra significa sempre morte e sofrimento."

A autora contou ainda que, depois de tanto tempo cobrindo catástrofes, perdeu a capacidade de testemunhar certos tipos de sofrimento. Hoje, por exemplo, ela não conseguiria mais ver uma pessoa morta num campo de batalha, porque choraria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Um cardiologista abre o peito [de um paciente] e não vai chorar sobre o coração aberto. Os jornalistas devem fazer como eles e encontrar forças."

Sobre os problemas que teve por escrever seus livros --como o exílio e livros confiscados--, Svetlana afirma, porém, que foi uma opção sua perseverar. "Meu medo maior é me cansar dessa luta cotidiana. Porque existem momentos de desespero, como o atual em minha terra, com uma sensação de desilusão."

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV