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Perfil "workaholic" e caso de emails pesam para impopularidade de Hillary

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - É mais fácil Hillary Clinton vencer as eleições -tem hoje 79% de chance de virar presidente dos EUA, segundo o site do estatístico Nate Silver- do que um concurso de Miss Simpatia.

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Segundo média de pesquisas compilada pelo RealClearPolitics, 55,6% do eleitorado a vê negativamente.

Em sondagem da CBS, seis em dez entrevistados disseram não compactuar com seus valores. Para 64%, ela não é honesta e digna de confiança.

Mas não foi sempre assim. Entre 1993 e 2013, quando enfileirou os postos de primeira-dama, senadora de Nova York e secretária de Estado, sua popularidade estava em alta, mostra uma linha do tempo do Centro de Pesquisa Pew com sua taxa de aprovação.

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Quando o marido, Bill Clinton, entrou na Casa Branca, 60% gostavam dela. Após ele admitir um caso com Monica Lewinsky, em 1998, dois em cada três americanos disseram admirar sua decisão de apoiá-lo.

O auge foi em novembro de 2009: 66% apreciavam a chanceler, capa naquele mês da revista "Time", que a chamou de "celebridade global".

O que mudou? Hillary quis virar presidente, e nunca esteve tão perto de conseguir, diz Joshua Dienstag, da Universidade da Califórnia. "Ela entrou na corrida e ganhou uma cobertura mais hostil da imprensa."

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Aconteceu antes: em abril de 2008, sua aprovação caiu para menos de 50% pela primeira vez em cinco anos. Era o ápice das primárias democratas que disputou com Barack Obama.

"Esse padrão pode atingir qualquer candidato", afirma Dienstag. "O presidente, por exemplo, nunca foi tão querido quanto agora, quando não concorre a nada. Mas talvez seja pior para uma mulher."

E Hillary é a primeira delas a pleitear a Casa Branca por um grande partido.

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WORKAHOLIC

Se você quer entender por que é tão impopular, sugere o colunista do "New York Times" David Brooks, comece se perguntando: o que ela faz para se divertir?

Em artigo, ele apontou que a workaholic Hillary parece "menos um ser humano", com quem o eleitor pode se identificar, "e mais o avatar de uma corporação".

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"Sabemos o que Obama faz para se divertir -golfe, basquete etc. Sabemos, infelizmente, como [Donald] Trump se diverte."

Aí que entra o machismo da equação. Hoje, só 39% dos americanos lhe veem com bons olhos. É a taxa mais baixa desde 1992, quando a futura primeira-dama declarou: "Poderia ter ficado em casa fazendo biscoitos, mas decidi correr atrás da minha profissão".

Trump, seu adversário republicano, gaba-se de dormir três horas por dia. "Sou um 'workaholic'", disse, "mas não vejo isso como algo ruim".

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Nem o povo americano, aparentemente. Sua desaprovação, mais alta que a de Hillary (61%), explica-se por muitos fatores -da inexperiência política ao hábito de insultar minorias.

Mas trabalhar duro por seu império corporativo em geral entra na lista de "prós" do candidato.

MEME

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Para a democrata, a severidade já foi vista como sinônimo de liderança eficaz. O meme (piada popular na internet) "Textos de Hillary", por exemplo, viralizou uma foto sua de 2011, de óculos escuros e atenta ao smartphone.

Numa montagem, Obama aparece rindo sob a legenda: "Ela vai amar esse vídeo do Justin Bieber". Na sequência, o retrato de Hillary: "De volta ao trabalho, garoto".

"O sucesso do meme ajudou a transformar a imagem dela", afirma editorial da ABC News.

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Hoje, é a desconfiança do americano médio que mais pesa contra ela, por episódios como o uso de e-mail privado quando liderou o Departamento de Estado.

Sua primeira derrapada ética, segundo críticos, remete a 1993: ela teria mentido sobre não ter a ver com a demissão de sete funcionários da Casa Branca, dispensados para acomodar aliados dos Clinton.

Hillary já admitiu não ser uma "política natural", como Obama ou o marido, para lidar com a opinião pública nessas situações. Uma entrevista da CBS é reveladora nesse sentido.

O âncora pergunta se ela já sempre contou a verdade. "Sempre tentei. Sempre", ela responde, e ele rebate: "Jimmy Carter disse, 'nunca vou mentir para você'".

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