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Poetas falam de racismo, política e cultura do estupro em sarau da Flip

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JULIANA GRAGNANI, ENVIADA ESPECIAL

PARATY, RJ (FOLHAPRESS) - Substituto do tradicional show de abertura da Flip, o sarau de poesia promovido na noite desta quarta (29) teve muitos aplausos a jovens poetas e gritos de "Fora, Temer".

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No ano passado, a atração de abertura da Flip já havia sido reduzida, com uma apresentação de um cantor local. O sarau deste ano reuniu grande público, que havia ficado na tenda do telão para assistir ao documentário de Walter Carvalho sobre o poeta Armando Freitas Filho exibido após a primeira mesa do evento.

O sarau na noite desta quarta (29), com início às 21h45, foi apresentado pela bem-humorada atriz Roberta Estrela D'Alva, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos. Logo no início, ela foi interrompida por um grito pedindo a saída do presidente interino Michel Temer (PMDB), ao que ela respondeu: "ah, sim, primeiramente, Fora Temer!"

Quando o primeiro poeta, Ítalo Moriconi, subiu ao palco, um grupo fez projeções com a frase "Temer Jamais", que serviu como pano de fundo para a apresentação do poeta. As projeções foram feitas pelo coletivo Transverso, que fazia uma "intervenção simbólica poética", segundo um dos seus integrantes, o poeta Cauê Maia, 31. A produtora Rebeca Damian, 31, também parte do coletivo, segurava um cartaz que dizia "Jamais Temer".

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O poeta Chacal, expoente da poesia marginal, subiu ao palco e, aplaudido, pediu: "Fora Temer, fora Globo, fora Cunha". "Tem muito mais gente para cair fora, mas por enquanto ficamos com esses três."

A peruana Gabriela Wiener recitou poemas em espanhol.

SHOW

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Uma série de jovens poetas, como Mel Duarte, Allan Jones, Emerson Alcalde e a própria apresentadora, Roberta Estrela D'Alva, subiu ao palco, dando show atrás de show -todos extremamente aplaudidos pelo público. Mel Duarte recitou slams contundentes contra o racismo e a cultura do estupro: "sou filha da puta/da luta/a mesma que aduba esse solo fértil/a mesma que te pariu".

O ponto alto talvez tenha sido a poesia falada da britânica Kate Tempest, que recitou um longo poema sobre "nossos sonhos, nossas odisseias".

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