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Só 21% dos calouros das principais unidades da USP vêm da rede pública

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PAULO GOMES E PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dos 1.752 alunos que ingressaram neste ano nas três faculdades mais tradicionais da USP que ainda não aceitaram estudantes via Sisu, apenas 21% são oriundos da rede pública.

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No Brasil, 85% dos estudantes do ensino médio são de escolas públicas, de acordo com o censo escolar de 2015 do Ministério da Educação.

Os dados são referentes aos matriculados na Faculdade de Medicina, na FEA (economia, administração e contabilidade) e na Politécnica (engenharias) em 2016, e foram extraídos dos resultados do questionário socioeconômico da Fuvest 2016, divulgado nesta quarta-feira (29).

Para 2017, já está aprovada a adesão da FEA ao Sisu [Sistema de Seleção Unificada do Ministério da Educação, que oferece vagas em instituições de ensino público superior para participantes do Enem], exclusivamente para alunos oriundos de escolas públicas. Serão destinadas 30% das vagas a esses candidatos.

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A Politécnica vai destinar 10% das suas 870 vagas no sistema, mas somente para ampla concorrência, ou seja, não haverá vagas exclusivas para alunos de escolas públicas e pretos, pardos e indígenas (PPI). A Medicina ainda não informou qualquer adoção do Sisu em seu processo seletivo.

RAÇA

A pouca representatividade da sociedade brasileira na principal universidade do país também pode ser aferida pelos critérios de cor e raça. São 76% de alunos brancos na USP contra 17% PPI. No Estado, a proporção de pretos, pardos e indígenas é de 35%, segundo o IBGE.

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CLASSE

Se feito um recorte por critérios sociais, as três faculdades mais tradicionais da USP que não utilizaram o Sisu para o vestibular da Fuvest têm, somadas, 54% de alunos matriculados com renda familiar mensal acima de dez salários mínimos. Só na Medicina, esse número corresponde a 63% dos novos estudantes. No Estado, 11% das famílias possuem tal renda, enquanto no país, 8%, de acordo com dados da Pnad 2014.

Na parte de baixo da pirâmide social, com renda familiar de até três salários mínimos (que até o final de 2015 era de R$ 788), estão apenas 8% dos calouros de FEA, Medicina e Politécnica. Esse valor, de R$ 2.364 de renda mensal por domicílio, corresponde a 55% das famílias brasileiras e 40% das do Estado de São Paulo.

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MEDIDAS PARA INCLUSÃO

A reitoria da USP colocou como meta alcançar 50% de alunos de escola pública entre ingressantes até 2018. Neste ano, foram 31% os matriculados que vieram do ensino público. O uso do Enem como forma alternativa de ingresso na USP é uma das apostas da reitoria para aumentar o nível de inclusão na instituição.

O pró-reitor de Graduação da universidade, Antônio Carlos Hernandes, já declarou que, caso o índice de inclusão não avance com as estratégias atuais, a universidade deve avançar para medidas mais profundas, como a adoção de cotas.

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A USP tem sofrido pressão para adotar o sistema de cotas sociais e raciais, como fazem todas as universidades federais do país desde 2012. Entre as estaduais paulistas, só a Unesp adota cotas. A Unicamp apostou em bonificação na prova do vestibular.

Além do Sisu, a USP mantém um sistema de bonificação para alunos de escolas públicas e PPI no vestibular da Fuvest.

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