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Sem água e papel nas delegacias, policiais do Rio param por oito horas

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MARCO ANTÔNIO MARTINS E NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Sem água, papel higiênico e tinta para impressão de boletins de ocorrência nas delegacias, policiais civis do Rio decidiram paralisar nesta segunda-feira (27) suas atividades por oito horas.

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De acordo com o presidente do Sindelpol (Sindicato dos Delegados de Polícia do Rio), Rafael Barcia, nenhuma investigação será conduzida pelos delegados entre 8h e 16h desta segunda. Apenas casos graves, como homicídios, terão andamento. "Estamos numa situação limite", disse Barcia.

A paralisação, que inicialmente envolveria apenas delegados, teve a adesão de inspetores, que também cruzaram os braços. O corte de gastos no Estado afetou o dia a dia das delegacias. Na 9ª DP (Catete), moradores da região doaram papel higiênico para ajudar policiais. A unidade já havia sido fechada pela Vigilância Sanitária por falta de condições de trabalho.

A falta de recursos também impede a impressão de boletins de ocorrência e de outros documentos administrativos. Em algumas unidades, faltam toner de tinta para impressora e papel. Em outras, até o fornecimento de água foi cortado.

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Na sexta-feira (24), o delegado Ronaldo Oliveira, chefe das Delegacias Especializadas, reclamou da impossibilidade de usar helicóptero na perseguição ao traficante Nicolas Labre Pereira de Jesus, conhecido como Fat Familiy. A aeronave teve a manutenção cortada, sendo impedida de voar.

Algumas viaturas também estão paradas por falta de manutenção e combustível. Dos seis blindados da Polícia Civil, apenas três ainda funcionam. A outra metade não tem mecânico para reparos.

Na Cidade da Polícia, local que concentra as delegacias especializadas da instituição, na zona norte do Rio, delegados e inspetores cruzaram os braços na manhã desta segunda. Há relatos de outras delegacias fechadas.

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No aeroporto internacional do Galeão, na Ilha do Governador, agentes estão no desembarque de passageiros com uma faixa que diz, em inglês: "Bem-vindo ao inferno. Policiais e bombeiros não são pagos. Qualquer pessoa que vier para o Rio não estará segura".

Assim como todos os servidores do Estado, os delegados da Polícia Civil estão com parte dos salários em atraso. O governo ainda deve R$ 468 milhões aos funcionários estaduais.

"O consenso é que a principal reivindicação neste momento de crise é receber o pagamento integral e no início do mês, como era antes do decreto do governo estadual que mudou a data", diz o Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Rio de Janeiro, em comunicado oficial.

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