Após Brexit, Ilhas Malvinas querem manter vantagem comercial com UE
LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Após saber que os britânicos optaram pela saída de seu país da União Europeia, o governo das Ilhas Malvinas -território britânico reivindicado pela Argentina no extremo sul do Atlântico- publicou uma nota nesta sexta-feira (24) em que afirma que trabalhará para manter os atuais benefícios econômicos.
Como território de um membro do bloco europeu, as Malvinas (ou Falklands) podem exportar seus produtos a outros países pertencentes ao grupo de modo irrestrito. A saída do Reino Unido poderá significar perdas das vantagens comerciais -ainda não se sabe, porém, como ficarão as tarifas alfandegárias depois da conclusão do processo de separação.
"Junto com os outros territórios [britânicos] ultramarinos, vamos nos assegurar de que nossos interesses sejam conhecidos pela eventual equipe de negociação [da saída da União Europeia] e nosso objetivo será manter os benefícios atuais, principalmente em relação ao acesso comercial", diz o governo das Malvinas em nota.
A UE é o principal parceiro comercial das ilhas. O governo estima que sejam vendidos por ano para a região 180 milhões de libras (R$ 830 milhões) em mercadorias, sobretudo peixe e carne. Calcula-se também que 70% do PIB do arquipélago dependa do acesso ao mercado europeu.
DEMOCRACIA
O texto publicado no site do governo diz ainda que a grande mobilização dos britânicos no referendo reflete a democracia do país, assim como ocorreu em 2013, quando os malvinenses foram às urnas para decidir se continuavam sob domínio do Reino Unido.
Apesar de serem cidadãos britânicos, os malvinenses em geral não tiveram direito ao voto. Moradores de territórios ultramarinos só podiam fazer parte do referendo se tivessem sido registrados nos últimos 15 anos em eleições do Reino Unido.
Na sexta passada (17), o único jornal do arquipélago de 2.900 habitantes, o semanal "Penguin News", dizia que os ilhéus esperavam que o "ficar" vencesse. No início deste ano, a representante do governo das Malvinas, Sukey Cameron, havia enviado um documento ao Parlamento do Reino Unido em que afirmava que, além dos problemas econômicos, a saída poderia significar uma reivindicação mais agressiva da Argentina pelo território.
A chanceler argentina, Susana Malcorra, afirmou nesta sexta (24) que o país já vinha reavaliando a relação com Londres antes do referendo. "Acreditamos que esse trabalho vai continuar de forma bilateral". Desde que Mauricio Macri assumiu a Presidência, em dezembro do ano passado, a Argentina adotou uma posição mais amistosa com o Reino Unido.
Malcorra, que é candidata ao cargo de secretária-geral da ONU, disse também que a saída do Reino Unido preocupa. "O mundo está passando por um momento difícil, de medos. Vemos isso na Europa, vemos nos Estados Unidos. Há uma tendência xenofóbica e essa realidade é muito preocupante", acrescentou.
