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Para Obama, saída da UE mostra desafios da globalização

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MARCELO NINIO

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - A "relação especial" entre Estados Unidos e Reino Unido não será afetada pela decisão dos britânico de deixar a União Europeia, disse nesta sexta (24) o presidente americano, Barack Obama. Segundo ele, a escolha tem a ver com "as mudanças e os desafios" gerados pela globalização.

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A votação foi também uma derrota para Obama, que se engajou publicamente ao lado do premiê britânico, David Cameron, na campanha pela permanência do país na UE.

Em discurso a jovens empreendedores na Universidade Stanford, na Califórnia, o presidente disse que havia conversado pouco antes com Cameron, a quem chamou de "um amigo notável no cenário global".

"Com base em nossa conversa, estou confiante que o Reino Unido está comprometido com uma transição ordenada para sair da UE", disse Obama. "Uma coisa que não irá mudar é a relação especial que existe entre nossos países. Isso vai perdurar."

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Nos EUA, vários comentaristas observaram um paralelo entre o voto britânico de quinta e o voto americano nas eleições presidenciais de novembro. Em comum, um sentimento de repúdio ao sistema político e o discurso antiimigração, dois temas centrais da campanha do virtual candidato republicano, Donald Trump.

Obama preferiu não entrar em detalhes ao falar nas possíveis razões por trás do resultado das urnas britânicas. "Eu acho que a votação de ontem tem a ver com as mudanças e desafios atuais que são levantados pela globalização", disse.

O presidente também mencionou a preocupação com os efeitos econômicos da decisão e disse que ele e Cameron concordaram em que seus governos devem estar "contato próximo, para mantermos o foco em assegurar o crescimento econômico e a estabilidade financeira".

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Em outra conversa, com a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel, Obama disse ter acertado também intensificar os contatos entre EUA e UE nos próximos meses. "A UE vai continuar sendo um de nossos parceiros indispensáveis. Nossa aliança na Otan [aliança militar do Ocidente] vai continuar sendo um pilar da segurança global", disse o presidente, lembrando que dentro de duas semanas ele irá à cúpula da Otan.

A seis meses de deixar a Casa Branca, será a última dele como presidente, e, provavelmente, também a de David Cameron como premiê britânico.

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