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O impensável se tornou irreversível, diz 'Economist'

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A saída do Reino Unido da União Europeia, decidida em plebiscito nesta sexta-feira (24), foi chamada de "separação trágica" pela revista "The Economist".

Para a publicação britânica, algo que era "impensável se tornou irreversível", com a população votando pela saída do país de um "clube que recebe quase metade das exportações do Reino Unido".

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Em texto publicado após a divulgação do resultado final, a revista diz que a decisão do plebiscito pode gerar uma "economia permanentemente menos vibrante", com menos empregos, receita e mais austeridade.

A publicação destaca que a Escócia, que votou em peso pela permanência na União Europeia, pode tentar forçar sua saída do Reino Unido, o que quase aconteceu em 2014. A revista diz que o resultado do plebiscito pode "balançar uma já frágil economia global".

A publicação também manifestou o temor de que "a Grã-Bretanha encolha para uma Pequena Bretanha, o que seria ainda pior se levasse a uma Pequena Europa."

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Apontando para as promessas de líderes do movimento a favor da saída da UE, de "uma economia do século 21, vibrante e voltada para o exterior", o artigo diz duvidar do resultado, mas também afirma que "nada nos faria mais feliz do que sermos provados errados".

EFEITO DOMINÓ

A campanha do plebiscito foi influenciada nos últimos dias pelo assassinato da deputada trabalhista Jo Cox, pró-Europa, por um ultranacionalista, dia 16. Até então, a saída levava ligeira vantagem na margem de erro.

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Pesquisa do instituto YouGov divulgada logo após o fim da votação apontava 52% para a permanência e 48% para a saída da UE -sinal de quão acirrada foi a disputa. Esta não seria, porém, a primeira vez que os institutos britânicos errariam resultados. O mesmo ocorreu nas eleições gerais de 2015.

Foram 15 horas de votação sob chuva, com alagamentos e interrupções no transporte.

O placar expõe um país dividido e, segundo analistas, despertará um sentimento anti-UE continente afora.

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Há risco de efeito dominó em outros países do bloco, que podem imitar a consulta popular para obter vantagem em negociações, e de impulso a movimentos separatistas como o escocês e o catalão.

O professor de política Tim Bale, da Universidade Queen Mary, de Londres, pondera que o "efeito dominó" tem mais força se o Reino Unido deixar efetivamente o bloco.

Ainda que não signifique o início de um potencial desmonte, há muitos europeus interessados em, ao menos, debater benefícios e potenciais problemas caso seus países decidam deixar a UE.

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Pesquisa feita pelo instituto Ipsos Mori com 6.000 pessoas em nove países europeus em março e abril deste ano indicou que 45% dos entrevistados apoiam a ideia de se fazer uma consulta popular em seu próprio país, e um terço disse que votaria para sair do bloco.

A maioria dos franceses e italianos ouvidos concorda com um plebiscito. O instituto ouviu ainda cidadãos de Suécia, Espanha, Bélgica, Hungria, Polônia, Alemanha e do próprio Reino Unido.

Além do ceticismo quanto ao bloco, o plebiscito no Reino Unido despertou outro sentimento entre os europeus: o de não ser bem-vindo entre parte dos britânicos.

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Cerca de 3 milhões de cidadãos de países-membros do bloco vivem no Reino Unido, e aproximadamente 2 milhões de britânicos estão nos outros 27 países da UE.

O livre trânsito de cidadãos da UE, uma das prerrogativas do bloco, transformou-se em um dos pontos de maior apelo durante a campanha do plebiscito. Favoráveis ao Brexit defendem que os imigrantes sobrecarregam o sistema de saúde, baixam os salários e "roubam" empregos.

Por isso, analistas avaliam que haverá muitas feridas a curar no Reino Unido após a votação. A disputa rachou o Partido Conservador e expôs fragilidades do Trabalhista. O cisma persistirá.

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