Decisão pode estimular separatistas no Reino Unido e Europa
FERNANDA ODILLA
LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - O resultado do plebiscito no qual os britânicos decidiram romper com a União Europeia também pode representar novas consultas populares dentro do próprio Reino Unido.
O "Dia da Independência", anunciado pelo líder do Ukip, Nigel Farage, tão logo as urnas indicaram vitória irreversível do Brexit (nome dado à saída dos britânicos do bloco europeu), pode se estender à Escócia e à Irlanda do Norte.
Nos dois países prevaleceu a maioria dos votos pelo "fica" e há a expectativa de que movimentos separatistas ganhem força.
A Escócia, onde 62% da população votou contra o Brexit, pode ser o primeiro a levar a ideia separatista à frente. Membros do Partido Verde escocês já lançaram uma petição para examinar e exaurir toda opção para manter os laços com o bloco europeu.
Nesta sexta-feira (24), Nicola Surgeon, primeira ministra da Escócia e um dos principais nomes do Partido Nacionalista Escocês, deixou claro que os escoceses "veem o próprio futuro como parte da UE".
JK ROWLING
Uma das mais célebres escocesas, a escritora JK Rowling, autora de "Harry Potter", nem esperou o anúncio do resultado oficial para escrever na rede social: "A Escócia vai buscar a independência agora. O legado de [David] Cameron estará quebrando duas uniões. Nem precisava acontecer".
Na Irlanda do Norte, o Brexit também foi derrotado por 62,9% dos votos. Mas, diante do resultado que prevaleceu em todo Reino Unido, o partido nacionalista Sinn Féin anunciou que o governo britânico "perdeu qualquer autoridade de representar os interesses políticos e econômicos da Irlanda do Norte.
O efeito dominó separatista da UE também é esperado para outros países do bloco. Representante da ultra-direita holandesa, Geert Wilders, já declarou que o Brexit abriu precedente para o resto da Europa.
