Greve na USP faz professor dar aula secreta, e diretor questiona violência
PAULO SALDAÑA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ocupação promovida por estudantes grevistas em prédios das universidades estaduais de São Paulo tem motivado professores a organizarem aulas em locais secretos para driblar piquetes.
Na FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da USP, as aulas e as atividades administrativas estão interrompidas desde 12 de maio por causa de ocupações. Na semana passada, uma professora da faculdade convocou uma aula de Projetos de Pesquisa em um restaurante dentro da própria universidade.
A convocação de encontros secretos tem se repetido em outras unidades da USP e também na Unicamp e Unesp. A prática já provocou conflitos entre alunos favoráveis à paralisação total, conforme reportagem publicada nesta quarta (22) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Estudantes da USP reivindicam, entre outros pontos, a aprovação de cotas nas universidades e a contratação de professores. O movimento apoia a greve dos professores e servidores técnico-administrativos, deflagrada em maio.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o diretor da FFLCH, professor Sergio Adorno, afirmou que "o apelo cada vez mais frequente à violência" tem preocupado a direção.
"A violência intimida, ameaça, dissemina sentimentos de medo, incerteza e insegurança e, além do mais, interrompe a possibilidade de diálogo e de negociação", diz. Segundo Adorno, a greve atual rompeu uma tradição de manter o acesso ao prédio administrativo da faculdade em movimentos de ocupação, preservando atividades como a pós-graduação.
