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Subsecretário de Estado dos EUA vai à Venezuela para buscar diálogo

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SAMY ADGHIRNI

CARACAS, EUA (FOLHAPRESS) - Um dos mais importantes diplomatas dos EUA, o subsecretário de Estado para temas políticos, Thomas Shannon, chegou na tarde desta terça-feira (21) à Venezuela em busca de um diálogo entre governo e oposição capaz de apaziguar tensões no país.

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Shannon se reuniu com o presidente da Assembleia Nacional (controlada pela oposição), Henry Ramos Allup, e com o governador do Estado de Miranda e ex-candidato à Presidência Henrique Capriles. Capriles relatou ter dito a Shannon que até agora "não houve nenhum diálogo na Venezuela."

A visita de Shannon dá seguimento ao encontro entre o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, no último dia 14, às margens da Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), na República Dominicana.

Kerry e Rodríguez haviam anunciado a abertura de "canais de diálogo" entre os dois países, que mantêm conturbada relação e não enviam embaixadores às respectivas capitais desde 2010.

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Apesar dos atritos, Washington e Caracas se dizem dispostos a atuar em conjunto para reverter a espiral de caos e devastação econômica que assola a Venezuela.

Washington vem apoiando esforços de mediação liderados pelo ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero em nome da Unasul (União das Nações Sul-Americanas).

Zapatero esteve várias vezes em Caracas neste ano e conduziu, na República Dominicana, conversas indiretas entre os dois lados.

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O ex-premiê, porém, irritou boa parte da aliança opositora MUD (Mesa da Unidade Democrática) ao criticar, em privado, o formato de referendo estipulado na Constituição, com o qual antichavistas pretendem abreviar a presidência de Maduro.

A MUD diz que só aceita dialogar com o governo caso permita a realização do referendo, cuja ativação depende de sucessivas coletas e verificações de assinaturas pelas autoridades eleitorais, alinhadas ao chavismo.

A MUD também condiciona o diálogo à libertação de dezenas de políticos e ativistas opositores presos desde os protestos anti-Maduro de 2014. O mais conhecido é Leopoldo López, líder do partido opositor Vontade Popular.

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Todos os líderes da MUD dizem que o diálogo não passa de uma jogada de Maduro para ganhar tempo e desviar o foco da crise econômica.

O governo nega agir de má fé e acusa a oposição de ter recorrido a fraudes para inflar listas de assinaturas em favor do referendo.

Autoridades eleitorais vêm impondo obstáculos à convocação da consulta. A estratégia chavista parece ser postergar o referendo para 2017, quando uma destituição de Maduro daria lugar a um governo comandado pelo vice, sem novas eleições.

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Nesta terça, Maduro voltou a atacar a oposição por rejeitar seus acenos. "A Venezuela está exigindo diálogo. Eu quero diálogo porque quero paz. Quero superar os problemas, recuperar a economia. Quero a cooperação e a união de todo o país", disse o presidente durante um evento em Caracas.

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