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Ex-premiê espanhol defende "processo de paz preventivo" na Venezuela

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MARCELO NINIO

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O ex-premiê espanhol José Luis Zapatero afirmou nesta terça (21) que é necessário um "processo de paz preventivo" na Venezuela, para evitar que a crise política e econômica no país se agrave ainda mais.

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Membro do comitê de mediação do conflito venezuelano integrado por dois outros ex-chefes de Estado, Zapatero falou em sessão extraordinária da OEA (Organização dos Estados Americanos), em Washington, para apresentar um informe inicial dos esforços.

Sua principal mensagem foi de que, antes de qualquer solução política, é preciso trabalhar pela reconciliação na Venezuela.

"Só na paz há direitos. Não há política na violência", disse o ex-premiê, que também defendeu um processo de desarmamento no país. "A reconciliação não é o fim, mas o começo."

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Zapatero relatou o encontro que teve no início do mês com o opositor venezuelano Leopoldo López numa prisão venezuelana e disse que ele se mostrou inclinado a tentar o diálogo.

O ex-premiê destacou que sua missão para facilitar o diálogo entre governo e oposição na Venezuela é pautada "pela defesa da democracia, do Estado de direito, da separação de poderes e do pluralismo".

Os oposicionistas venezuelanos acusam o governo do presidente Nicolás Maduro de violar tais princípios.

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Além de Zapatero, integram o grupo de mediação os ex-presidentes Leonel Fernández (República Dominicana) e Martín Torrijos (Panamá). A iniciativa teve origem em um convite do colombiano Ernesto Samper secretário-geral da Unasul (União de Nações Sul-Americanas).

Em sua intervenção, o representante do Paraguai criticou o fato de Samper ter feito o convite sem consultar todos os 12 países da Unasul.

José Luiz Machado e Costa, embaixador do Brasil na OEA, afirmou que as tentativas do organismo e da Unasul de facilitar uma solução para a crise na Venezuela não são excludentes. Destacou, porém, que a OEA "é o único foro hemisférico que congrega todos os países da região".

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A sessão extraordinária desta terça, convocada por Caracas, reflete a divisão regional que cerca a crise na Venezuela. Ela é vista por diplomatas como mais um gesto do governo venezuelano para confrontar o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, crítico contumaz de Maduro.

Na próxima quinta (23) está prevista a realização de uma nova sessão extraordinária no Conselho Permanente da OEA, esta a pedido de Almagro, com o objetivo de discutir a invocação da Carta Democrática da organização para o caso da Venezuela.

O governo venezuelano pede o cancelamento da sessão, alegando que Almagro abusa de seus poderes e não tem legitimidade para invocar a Carta. Num inflamado discurso durante a sessão, o informe preparado por Almagro sobre a crise foi chamado de "fraudulento" pela chanceler venezuelana, Delcy Rodriguez.

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Buscando distanciar-se das polêmicas, Zapatero disse que a mediação que está tentando conduzir é realizada "com plena imparcialidade" e respeito à soberania venezuelana.

Para ele, a história de guerras do século 20 na Europa deve servir como lição de que "só a convivência pacífica leva a um futuro promissor".

"Na América Latina tampouco há muito que ter orgulho. Ditaduras, golpes de Estado, desaparecimentos, intervenções e conflitos", disse o ex-premiê.

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