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Chefe de gabinete de Cristina Kirchner tenta se afastar de prisão de traficante

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LUCIANA DYNIEWICZ

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Ex-chefe de gabinete da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, Aníbal Fernández tentou se afastar nesta segunda (20) de mais um escândalo que pressiona o kirchnerismo.

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"Não me preocupo nem um pouco", disse Fernández a uma rádio local sobre a prisão do traficante Ibar Pérez Corradi, suspeito de ser o autor intelectual do assassinato de três pessoas, em 2008, ligadas ao tráfico de efedrina (matéria-prima de drogas sintéticas).

No ano passado, durante a campanha eleitoral, um dos condenados por haver executado os assassinatos afirmou a um programa de TV que Fernández, então candidato ao governo da província de Buenos Aires, estava envolvido no tráfico e era o mandante do crime.

A denúncia prejudicou o político, que acabou perdendo a eleição para María Eugenia Vidal, aliada do presidente Mauricio Macri.

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No último domingo (19), Corradi foi preso em Foz do Iguaçu, em uma operação conjunta das polícias brasileira e paraguaia, e levado a Assunção. Foragido há quatro anos, o traficante afirma ser inocente. A Argentina já pediu sua extradição.

Horas após a prisão, a ministra de Segurança da Argentina, Patricia Bullrich, afirmou que "estaria preocupada" se fosse o ex-chefe de gabinete de Kirchner.

Além de dizer que não está preocupado, Fernández acrescentou que a Casa Rosada usa a prisão de Corradi para tirar o foco dos "desastres econômicos que estão fazendo na Argentina."

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Em discurso nesta segunda, o presidente Mauricio Macri não mencionou a detenção do traficante, mas afirmou que seu governo trabalha para "derrotar o narcotráfico".

KIRCHNERISMO AMEAÇADO

Caso a ligação de Fernández com os assassinatos seja confirmada, o kirchnerismo deverá perder popularidade e ficar em uma situação ainda mais complicada na Justiça.

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Na semana passada, a prisão do secretário de obras de Néstor e Cristina Kirchner, José López, com US$ 8,9 milhões (R$ 30 milhões) em espécie prejudicou diretamente a imagem já abalada da ex-presidente.

Uma pesquisa da consultoria Management & Fit apontou que 63,5% dos argentinos dizem acreditar que Cristina sabia que López desviava recursos.

Em carta publicada no Facebook, a ex-mandatária admitiu pela primeira vez que houve casos de corrupção em seu governo e disse que gostaria de saber quem era, além de López, os responsáveis pelos casos.

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"Alguém deu o dinheiro que o engenheiro López tinha em seu poder. E não fui eu. Quando alguém recebe dinheiro em sua função pública é porque alguém da iniciativa privada lhe deu", escreveu.

Cristina afirma estar sendo perseguida. Ela é investigada por enriquecimento ilícito e falsificação de documento público, além de estar sendo processada sob a acusação de venda de dólares a um preço abaixo do de mercado.

O jornalista argentino Luis Majul, do canal América TV, afirmou no último domingo que a ex-presidente recebe 340 mil pesos (R$ 83 mil) por mês -valor referente a sua pensão vitalícia de chefe de Estado e a de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto em 2010. A lei das aposentadorias do país proíbe o pagamento em dobro.

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