Milhares comparecem para confirmar firmas por referendo contra Maduro
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Milhares de venezuelanos se aglomeraram nesta segunda-feira (20) em centros de votação espalhados por todo o país, no primeiro dos cinco dias para validação das assinaturas em apoio à convocação de um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro.
Prevista na Constituição, a consulta popular é a principal aposta da oposição para abreviar o governo de Maduro, eleito em 2013 para um mandato de seis anos. A ativação do referendo depende de sucessivas coletas de assinaturas e verificações por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão alinhado ao chavismo.
Longas filas se formaram desde o início da manhã em escolas, bibliotecas e escritórios do CNE onde haviam sido instaladas máquinas de coleta de impressão digital para verificação das assinaturas.
"Estar aqui é um ato patriótico. Vim no primeiro dia porque é preciso acabar com este governo o mais rápido possível e para que a democracia volte a funcionar", disse à reportagem o desempregado Roberto Pérez, 61, numa fila no centro de Caracas onde pessoas gritavam "revogatório já."
Pérez disse ter votado várias vezes no chavismo, antes de mudar de ideia diante da grave deterioração das condições de vida num país devastado por desabastecimento e inflação.
A assinatura de Pérez será uma das 1,3 milhão a ser verificadas pelo CNE a partir de sexta (24).
A MUD havia apresentado 1,9 milhão de firmas, número muito superior às 200 mil exigidas por lei na fase inicial do processo (1% dos eleitores registrados). O CNE, porém, invalidou 600 mil assinaturas sob justificativas como erros de grafia e números de identidade inválidos, entre outras.
O órgão tem até o fim de julho para terminar de auditar as firmas. Caso a cota de 1% do eleitorado seja formalmente reconhecida, a MUD poderá, em tese, iniciar a fase seguinte, na qual deverão ser recolhidas assinaturas de mais 20% dos eleitores. O referendo poderá ser realizado depois que o CNE auditar esta segunda lista. Não há prazo estipulado.
Caso o referendo aconteça, o "sim" precisaria ser aprovado por quantidade de eleitores maior que os 7,5 milhões de votos obtidos por Maduro em 2013.
A oposição corre contra o tempo já que nova eleição presidencial só ocorrerá se Maduro for revogado antes de janeiro de 2017. Caso o "sim" vença depois desta data, quem assume até 2019 é o vice-presidente, cargo hoje ocupado por Aristóbulo Istúriz.
