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Brecha pode liberar russa que denunciou escândalo de doping

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Responsável pela denúncia que levou à revelação do esquema estatal de dopagem em seu país, a atleta russa Iuliia Stepanova, 29, deve ser liberada pela Iaaf (Associação Internacional das Federações de Atletismo) para competir nos Jogos Olímpicos do Rio.

Além de manter a exclusão da Rússia de eventos internacionais -entre eles a Olimpíada-, a entidade aprovou nesta sexta-feira (17) uma mudança de regra que vai abrir brecha para alguns competidores receberem aval para ir a campeonatos. Isto, é claro, desde que comprovem não ter histórico de doping, vivam fora do país e tenham sido submetidos a outros programas de antidoping ou tenham colaborado extraordinariamente para investigações.

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Stepanova, especialista nos 800 m, denunciou as sistemáticas infrações em seu país no documentário "Top Secret Doping: How Russia makes its Winners" ("Doping Secreto: Como a Rússia faz seus Vencedores"), veiculado pelo canal alemão ARD em dezembro de 2014.

Na obra, são mostradas gravações implicando o técnico da seleção russa de atletismo Alexei Melnikov e o médico Sergei Portugalov em um esquema de aquisição de substâncias dopantes e de encobrimento de resultados positivos de doping.

Stepanova havia sido condenada por doping em 2013 e sido desclassificada de todos os resultados desde 2011, devido a variações em seu passaporte biológico. Desde então, além das denúncias, passou a colaborar com investigadores. Seu marido, Vitali Stepanov, foi funcionário da Rusada (agência antidoping russa) e também ajudou no documentário.

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Nesta sexta, o chefe da força-tarefa da Iaaf que acompanhou o desenrolar do escândalo russo, Rune Andersen, disse ter recomendado um parecer favorável à atleta, caso ela deseje competir no Rio.

Outros atletas também podem tentar, desde que cumpram critérios e estejam "limpos". Então, eles têm de submeter o pedido à Iaaf e aguardar o veredicto.

Se tiverem a liberação aprovada, vão competir nos Jogos do Rio (a depender da celeridade do processo) e em eventos internacionais sob bandeira neutra, não a da Rússia.

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Uma das atletas que se enquadram no perfil é Ielena Isinbaieva, bicampeã olímpica do salto com vara, em Atenas-2004 e Pequim-2008. Depois da sentença da Iaaf desta sexta, Isinbaieva afirmou que vai entrar na Justiça e na Corte Arbitral do Esporte.

"Estou magoada e nervosa, me dói. Para mim e minha equipe, atletas limpos não tiveram defesa de ninguém, um de nossos direitos não são defendidos e é enormemente duvidosa a posição da Iaaf para proteger os direitos de atletas limpos. Antes de tudo, acredito que é uma discriminação baseada na nacionalidade dos russos, porque somos da Rússia", afirmou.

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