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Aos 94 anos, ex-guarda de Auschwitz é condenado como cúmplice de mortes

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um ex-guarda do campo de concentração de Auschwitz foi condenado nesta sexta-feira (17), aos 94 anos, a cinco anos de prisão. Reinhold Hanning integrava a guarda de elite nazista, a SS, e era acusado de ser cúmplice no assassinato de 170 mil pessoas entre janeiro de 1943 e junho de 1944

A Promotoria pediu à corte da cidade de Detmold, no oeste da Alemanha, que Hanning fosse sentenciado a seis anos de prisão pelo seu papel de facilitador no extermínio de judeus e outras minorias no campo de concentração nazista que funcionou na Polônia ocupada pelos alemães na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

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A defesa de Hanning pedia por sua absolvição, alegando que o ex-guarda nunca matara, espancara ou abusara de ninguém enquanto guarda do campo de concentração.

Ele não era acusado de envolvimento direto em nenhuma morte. Mas a Procuradoria de Dortmund, na Alemanha, e dezenas de queixas conjuntas na Alemanha, Hungria, Israel, Canadá, Reino Unido e Estados Unidos acusam Hanning de ter ajudado Auschwitz a funcionar.

CALADO

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Sentado em sua cadeira de rodas, Hanning se manteve calado durante a maior parte do julgamento, iniciado em fevereiro deste ano.

Ele, porém, quebrou o silêncio no final de abril, quando pediu desculpas às vítimas no tribunal. "Tenho vergonha por ter deixado a injustiça acontecer conscientemente e por não ter feito nada para me opor a ela. Eu fiquei em silêncio por um longo tempo, fiquei em silêncio por toda a minha vida."

O ex-guarda disse ainda que se arrependia de ter sido parte de uma "organização criminosa" que matou tantas pessoas e causou tanto sofrimento.

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O julgamento incluiu testemunhos de ao menos dez sobreviventes do Holocausto, alguns com a mesma idade de Hanning, como Leon Schwarzbaum.

Na abertura do julgamento, ele leu uma comovente declaração sobre suas próprias experiências e então olhou diretamente para Hanning em um apelo emocionante.

"Sr. Hanning, termos a mesma idade e, em breve, estaremos os dois perante a mais alta corte", disse Schwarzbaum, com a voz embargada e as mãos trêmulas. "Fale aqui sobre o que o sr. e seus companheiros fizeram!"

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A realização do julgamento de Hanning foi possível após novo precedente ter sido estabelecido em 2011, quando John Demjanjuk, ucraniano naturalizado americano que trabalhou na indústria automobilística, foi condenado por colaborar com o regime nazista durante a Segunda Guerra sem que houvesse provas de envolvimento em uma morte específica.

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