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ONG Médicos Sem Fronteiras passa a recusar doações da União Europeia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ONG Médicos Sem Fronteiras anunciou nesta sexta-feira (17) que não receberá mais doações dos Estados-membros e das instituições da União Europeia devido às políticas para conter a chegada de refugiados à Europa.

Segundo a instituição, a medida foi tomada "em oposição às suas políticas de dissuasão danosas e à intensificação das tentativas de empurrar suas pessoas e seu sofrimento para longe da costa da Europa".

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"A única oferta é que eles fiquem em países de onde estão desesperados para fugir? Mais uma vez, o foco principal da Europa está na maneira mais efetiva de mantê-las distantes", disse Jérôme Oberreit, secretário-geral da organização.

A decisão é tomada três meses depois de o bloco assinar um acordo com a Turquia para diminuir o fluxo de pessoas na rota entre o país e a Grécia -a que recebeu o maior número de refugiados e imigrantes no ano passado.

Pelo pacto, todos os imigrantes que chegarem em embarcações precárias nas ilhas gregas do mar Egeu são deportados para o território turco. Em troca, a Turquia envia à Europa refugiados que estão em seus campos de refugiados.

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Para a Médicos Sem Fronteiras, quem está arcando com os efeitos das medidas são os refugiados, principalmente os 8.000 imigrantes que esperam a definição de sua situação em abrigos nas ilhas gregas.

"Elas estão vivendo em condições extremamente precárias, em acampamentos superlotados, por vezes durante meses. Temem um retorno forçado à Turquia enquanto são privadas de apoio jurídico", diz a instituição, em nota.

ARRECADAÇÃO

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Segundo a ONG, os fundos de instituições da União Europeia doaram 19 milhões de euros (R$ 73,9 milhões) à instituição em 2015, enquanto fundos dos Estados-membros forneceram 37 milhões de euros (R$ 143,9 milhões) no mesmo período.

Além da ajuda do bloco, a Médicos Sem Fronteiras usou 6,8 milhões de euros da Noruega e faz parcerias com Bélgica, Irlanda, Dinamarca, Luxemburgo, Holanda, Espanha, Suécia e Reino Unido.

O acordo com a Turquia se soma ao fechamento das fronteiras por países dos Bálcãs, incluindo a Hungria, e o reforço de segurança feito pela Áustria em sua fronteira e pela Itália na rota que liga o norte da Líbia à ilha de Lampedusa.

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"Essas políticas só exacerbaram o sofrimento das pessoas em necessidade. Não há nada remotamente humanitário nessas políticas. Elas não podem se tornar a norma e devem ser questionadas", disse Oberreit.

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