Cristina Kirchner responsabiliza ex-secretário e empresas por corrupção
LUCIANA DYNIEWICZ
DE BUENOS AIRES
(FOLHAPRESS) Em 16/06/2016 22h27
A ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner responsabilizou nesta quinta (16) a iniciativa privada e o secretário de Obras de seu governo, José López, pelo pagamento de propina, ao tentar se afastar de um novo escândalo.
Esta é a primeira vez que a presidente se pronuncia por um escândalo de corrupção de seu governo desde que deixou a Casa Rosada, em dezembro. Nos últimos sete meses, ela reduziu drasticamente suas aparições e pronunciamentos públicos, inclusive na internet.
Número dois do Ministério do Planejamento durante todo o kirchnerismo (2003-2015), López foi preso na terça (14) quando entrava em um convento na Grande Buenos Aires para enterrar US$ 8,9 milhões (R$ 31 milhões) em espécie.
"Quero saber quem foi, além do engenheiro López, os responsáveis pelo que aconteceu. Alguém deu o dinheiro que o engenheiro López tinha em seu poder. E não fui eu", escreveu em sua página no Facebook.
"Ninguém se faça de distraído. Nem empresários, nem juízes, nem jornalistas, nem dirigentes. Quando alguém recebe dinheiro em sua função pública é porque alguém da iniciativa privada lhe deu."
Cristina afirmou ainda que foi "a presidente mais insultada da história" e que se dirigia aos militantes que apoiam e que "sofrem pelo que está ocorrendo." "A eles quero dizer que acredito que palavras como repudiar, rejeitar e condenar [López] não são suficientes."
A presidente da associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, defendeu Cristina. "Não temos que acreditar que López era uma político kirchnerista. Ele é um traidor", disse na tarde desta quinta.
Segundo Bonafini, que tem uma relação próxima com Cristina devido ao apoio político e financeiro que recebeu nos últimos anos, López "foi infiltrado no kirchnerismo por meios de comunicação e serviços de inteligência".
ESCÂNDALOS
A prisão complicou a situação de Cristina, que é suspeita de enriquecimento ilícito e falsificação de documento público, além do processo sob a acusação de venda de dólares no mercado futuro a preços abaixo do de mercado.
Foi na licitação de obras públicas que ocorreram dois escândalos pelos quais a ex-presidente argentina é investigada pela Promotoria -o caso das diárias de hotéis e dos aluguéis de imóveis da família Kirchner.
No primeiro, o empresário Lázaro Báez, amigo de Néstor Kirchner (1950-2010) e um dos principais ganhadores de licitações, teria pago diárias por quartos não usados, no que a polícia acredita ser indício de lavagem de dinheiro.
No segundo, Báez e o empresário Cristóbal López são acusados de alugarem imóveis dos Kirchners como uma forma de pagamento de propina para vencer licitações e evitarem pagamentos e multas.
