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Senador dos EUA fala por 15 horas e obstrui pauta sobre venda de armas

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ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) - Por 14 horas e 50 minutos, das 11h21 de quarta (15) até as 2h11 de quinta (16), o Senado americano foi obstruído com uma única pauta: como prevenir pessoas sob vigilância do FBI de comprar armas.

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Quatro dias antes, Omar Mateen, 29, matou 49 pessoas numa boate LGBT em Orlando, armado com pistola 9 mm e fuzil semiautomático adquiridos na loja de um oficial aposentado da polícia nova-iorquina.

"Uma pessoa má entrou aqui e comprou legalmente duas armas. Se não fosse com a gente, teria sido com outro", disse Ed Henson, o dono.

A intenção do senador democrata Chris Murphy, que levou a pauta ao plenário, era convencer os líderes republicanos a votar por maior controle de armas, bandeira em geral avessa à plataforma republicana. Hoje, a Casa tem 44 democratas, 54 republicanos e dois independentes.

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Líder da maioria, Mitch McConnell afirmou que permitiria a inclusão de "duas importantes medidas" num projeto de lei para financiar agências federais.

Elas seriam: vetar venda de armamento a suspeitos de terrorismo e expandir a checagem de antecedentes (em compras pela internet ou feira de armas, por exemplo).

"Já estou farto desta matança de inocentes e da nossa inação", afirmou Murphy, que fez uso da "filibuster", como se chama nos EUA o uso prolongado do microfone para bloquear o andamento da pauta.

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De acordo com o Senado, a mais longa obstrução deste tipo de sua história ocorreu em 1957, quando um parlamentar da Carolina do Sul falou por 24 horas e 18 minutos contra uma lei de direitos civis.

VÍTIMAS E LEGISLAÇÃO

Murphy foi eleito por Connecticut, onde em 2013 um jovem de 20 anos abriu fogo contra a escola Sandy Hook. Com três armas, disparou mais de 1.400 tiros em cinco minutos. Matou 20 crianças e seis adultos.

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Ele expôs num cavalete a foto de uma das vítimas, com camisa do Super-Homem.

Dylan, 6, que tinha autismo, "amava videogame, pular de trampolins e chocolate". Deixava um retrato da classe na geladeira e idolatrava a professora, Anne Marie, 52. Os dois morreram abraçados.

Será complicado transformar a proposta democrata sobre venda de armas em legislação. O Senado já a rejeitou em outras ocasiões.

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"Claro que agora precisamos ver se os senadores votarão para proteger a segurança pública ou os lucros da indústria bélica", disse Rebecca Peters, porta-voz da Iansa, rede internacional contra armas.

Mesmo o "calor do momento", que a princípio poderia servir de pressão, não foi eficaz no passado recente: só o presidente Barack Obama já fez ao menos 14 discursos após atentados domésticos.

O projeto teria ainda que passar pela Câmara. Seu presidente, o republicano Paul Ryan, sinalizou desgosto com as medidas. "Não queremos tirar o direito dos cidadãos [de portar armas] sem o devido processo", disse na quinta.

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O FBI também fez ressalvas: teme que a investigação sobre um suspeito seja comprometida quando ele perceber que está na "lista negra" dos vendedores de arma.

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