Crise síria eleva para 1,19 milhão demanda por reassentamento
JOHANNA NUBLAT
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No próximo ano, haverá a necessidade de reassentar 1,19 milhão de refugiados pelo mundo, número 72,2% maior que três anos antes, informou a agência da ONU para refugiados (Acnur), em relatório divulgado nesta segunda-feira (13).
O crescimento da demanda se deve, em parte, à demanda por reassentamentos de pessoas que fogem da Síria, em guerra civil há cinco anos.
A agência estima que os sírios serão responsáveis, em 2017, por 40% da necessidade de vagas para reassentamento, seguidos por nacionais do Sudão (11%), do Afeganistão (10%) e da República Democrática do Congo (9%).
Os números do Acnur, no entanto, revelam um gargalo no reassentamento de refugiados que deixaram seus países e esperam, em algum país onde obtiveram asilo, uma solução definitiva em um terceiro país.
Segundo o relatório, na última década, a agência submeteu a cerca de 30 países mais de 1 milhão de pedidos de reassentamentos. Em 2015, a solicitação foi recorde na década, superando 134 mil pedidos aceitos.
A maior parte desses pedidos, no ano passado, envolveu refugiados de nacionalidades síria (53,3 mil), congolesa (20,5 mil) e iraquiana (11,1 mil).
Os pedidos foram dirigidos, em sua maioria, aos Estados Unidos (82,5 mil), Canadá (22,9 mil) e Austrália (9,3 mil).
A taxa de aceitação dos pedidos de reassentamentos, no ano passado, ficou em 91,8% em média, a depender da nacionalidade.
DIREITOS HUMANOS
Teve início, nesta segunda (13), a sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. A reunião dos países para tratar de temas como migrantes, a situação da Síria, violência contra mulheres e liberdade de expressão vai até 1º de julho.
Na abertura dos trabalhos, Zeid Ra'ad Al Hussein, alto comissário das Nações Unidas sobre o tema, denunciou um "aumento preocupante" de detenções de migrantes na Grécia e na Itália e cobrou que os países ofereçam melhores condições de alojamento para crianças que esperam o processamento dos pedidos de asilo.
"Mesmo crianças desacompanhadas frequentemente são colocadas em celas de prisões ou centros cercados com arame farpado. A detenção nunca é no melhor interesse da criança —que deve ter prioridade sobre objetivos de imigração", disse.
