Orlando tem polícia a cada esquina após semana de medo, diz brasileiro
GUILHERME MAGALHÃES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma das principais cidades turísticas dos EUA, Orlando (Flórida) já vinha de uma semana de medo antes do ataque à boate gay Pulse na madrugada de domingo (12) que deixou 50 mortos.
"Foram várias ocorrências durante a semana, a cidade ficou muito tensa", afirmou o consultor empresarial Paulo Henrique Dias, 32. "A cidade parou", disse o brasileiro, que vive há 14 anos em Orlando.
Ele cita um assalto à mão armada e uma ameaça de bomba em duas unidades do supermercado Walmart, um assalto a um Bank of America no condomínio Metro West -onde residem muitos brasileiros, segundo Dias- e a morte da cantora Christina Grimmie, 22, baleada na última sexta (10) durante uma sessão de autógrafos.
Desde domingo, a presença policial nas ruas da cidade cresceu, disse o brasileiro. "A cada esquina tem polícia. Fui ao shopping e em cada entrada havia dois carros da polícia", relatou Dias, que é um dos organizadores do consulado brasileiro itinerante, quando este se muda de Miami para Orlando.
BARES E PARQUES
Num domingo no auge do verão americano, vários bares da cidade ficaram fechados. Os parques temáticos, como Disney e Universal Studios, funcionaram sob estado de alerta.
O consultor afirma que mora próximo a uma das cinco mesquitas de Orlando, que contava com três carros de polícia na entrada.
A facção terrorista Estado Islâmico assumiu a autoria do ataque, mas até o momento não há confirmação de ligação entre o grupo e o atirador, o americano de origem afegã Omar Mateen, 29.
Segundo Dias, a comunidade brasileira se uniu nos últimos dias para apoiar uns aos outros. Eles temem o recrudescimento do discurso anti-imigração e islamofóbico, como o do virtual candidato republicano à Presidência, o magnata Donald Trump.
"Os brasileiros estão com medo do Trump ganhar pelo radicalismo dele. Terroristas estão no mundo inteiro, é preocupante ele ficar atacando os muçulmanos", disse Dias.
