Na Fiesp, ministro da Cultura diz que nova secretaria depende de debate
GUILHERME GENESTRETI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Cultura, Marcelo Calero, se esquivou de comentar a finalidade da recém-criada Secretaria Especial do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, alvo de controvérsia.
Anunciada na mesma medida provisória que refundou o Ministério da Cultura, em maio, a criação da secretaria é tida por membros do setor como um artifício para atender a interesses de empreiteiras em áreas tombadas. A definição dessas políticas já é competência do Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), órgão também ligado ao MinC.
"Não tem mistério nenhum. Não posso adiantar porque nada será feito sem que seja precedido de um debate", respondeu o ministro à reportagem na tarde desta sexta (10), logo após um almoço realizado na sede da Fiesp, em São Paulo, em que se reuniu com representantes da cultura paulista.
"Esse modelo já existiu no passado [no governo FHC, durante a gestão do ministro Francisco Weffort], teve suas críticas e seus pontos positivos. Existe essa previsão na medida provisória, mas ainda não foi feito nenhum movimento [para implementá-la]. O Iphan está com as suas atribuições preservadas."
Segundo ele, na próxima semana será feita uma reunião com servidores do Iphan para discutir o assunto.
Ao lado do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, o ministro da Cultura disse que o almoço na sede da federação foi feito para "ter um primeiro contato com área cultural daqui de São Paulo".
Estiveram no evento figuras como o maestro João Carlos Martins, Thobias da Vai-Vai e produtores de cinema como Andrea Barata Ribeiro e Fabiano Gullane.
O ministro comentou que uma de suas prioridades é debater a Lei Rouanet, alvo recente de críticas, mas "sem demonizar esse mecanismo". "Essa demonização é culpa da gestão anterior, que satanizava esse mecanismo, responsável pelo sustento de projetos Brasil afora, museus, orquestras, enfim."
O ministro também minimizou as críticas feitas por artistas contra o governo interino. "Vivemos numa democracia plena. Manifestações desta natureza fazem parte do negócio."
