Deputados de oposição a Maduro são agredidos após cobrarem referendo
SAMY ADGHIRNI
CARACAS, VENEZUELA (FOLHAPRESS) - Policiais e militantes chavistas agrediram, nesta quinta-feira (9), deputados opositores que protestavam em frente ao principal órgão eleitoral venezuelano, o CNE (Conselho Nacional Eleitoral), em Caracas, para exigir a ativação de um referendo revogatório contra o presidente Nicolás Maduro ainda neste ano.
O ataque nos arredores do CNE, órgão alinhado ao chavismo, também visou jornalistas.
Entre as vítimas estão os deputados Armando Armas, Eudoro González e Julio Borges, que ficou com o rosto ensanguentado.
Borges postou nas redes sociais fotos que mostram, segundo ele, que os agressores são funcionários da prefeitura de Libertador, maior município da grande Caracas, governado pelo chavismo.
A tensão começou no fim da manhã, quando a comitiva de dezenas de deputados opositores chegou à porta do CNE, onde os parlamentares foram hostilizados por simpatizantes chavistas. Os parlamentares tentaram se refugiar dentro do prédio do órgão, mas acabaram empurrados por policiais de volta para a rua, onde ficaram vulneráveis aos ataques. A polícia não impediu as agressões.
"Dissemos reiteradas vezes que vínhamos em paz, com a Constituição na mão, apenas para sermos escutados. Mas as reitoras [do CNE] se negam a nos atender, elas acham que estão acima da Constituição", disse Borges.
CRONOGRAMA
O protesto diante do CNE pretendia pressionar o órgão a confirmar a validação das assinaturas recolhidas pela oposição na fase inicial de ativação do referendo e anunciar o cronograma das próximas etapas.
Por lei, o CNE deveria ter se pronunciado no início de maio, dias depois ter recebido da oposição 1,8 milhão de assinaturas em favor do referendo. Eram necessárias apenas 200 mil (equivalente a 1% do número de eleitores registrados no país) para iniciar o trâmite, mas os antichavistas buscaram aumentar a lista de firmas para demonstrar o amplo apoio popular à ideia de que remover Maduro é a única maneira de reverter a crise econômica e social no país.
O CNE disse que encerraria verificações no dia 2 de junho, mas até agora não oficializou sua posição sobre o tema. Na terça-feira (7), a oposição divulgou que o órgão estava prestes a confirmar a validação de ao menos 1,3 milhão de assinaturas, algo que também não ocorreu.
A aprovação das assinaturas é indispensável para ativar a fase seguinte, na qual a oposição terá de recolher assinaturas de mais 20% dos eleitores.
Caso o referendo aconteça, o "sim" precisaria ser aprovado por quantidade de eleitores maior que os 7,5 milhões de votos obtidos por Maduro em 2013.
A oposição acusa o governo de atrasar o processo para que eventual consulta só ocorra em 2017, quando uma revogação de Maduro resultaria na posse do vice-presidente, sem necessidade de novas eleições.
