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Faltando dois décimos de apuração, eleição deixa Peru em suspense

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SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

LIMA, PERU (FOLHAPRESS) - Uma das eleições mais disputadas da história do Peru vem deixando o país em suspense enquanto as últimas cédulas não são contadas.

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Até as 16h locais (18h em Brasília) desta quarta-feira (8), apenas 41 mil votos separavam o primeiro colocado, o economista conservador Pedro Pablo Kuczynski, 77, de sua rival, Keiko Fujimori, 40, filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000).

Por isso, mesmo com mais de 99,8% da apuração realizada, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) declarou que só faria o anúncio do vencedor quando o último voto for processado.

Apenas na manhã desta quarta (8) chegou a maioria dos votos do exterior. Em grande parte dos países, como Reino Unido, Suíça, EUA, Cuba e Holanda, venceu PPK. Os únicos em que Keiko abriu vantagem sobre o rival foram Japão (ela tem ascendência nipônica) e Venezuela.

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Raio-x Peru

No início da tarde, desembarcaram urnas do vale dos rios Apurímac, Ene e Mantaro, o chamado Vraem, região de difícil acesso e de ação de guerrilhas ligadas à facção terrorista Sendero Luminoso.

Segundo o responsável pela Onpe, Mariano Cucho, até o fim do dia chegariam as urnas restantes do exterior.

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IRREVERSIBILIDADE

Apesar da demora para a oficialização, PPK vinha mantendo uma distância considerada pelos principais institutos de pesquisa do país como "irreversível". Com 99,8% das urnas apuradas, o economista se mantinha com 50,1%, contra 49,9% da rival.

O presidente-executivo do instituto Ipsos, Alfredo Torres, diz que "o triunfo de PPK é definitivo". "Para Keiko virar o jogo, teria de obter mais de 70% de todas as atas que faltam ser processadas, o que é materialmente impossível."

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PPK, porém, evitava cantar vitória. "Estamos confiantes, mas precisamos respeitar as instituições e ao trabalho do Onpe. Peço que nossos fiscais continuem vigilantes", repetiu novamente na manhã desta quarta (8).

Menos paciente, seu vice, Martín Vizcarra, pediu mais agilidade ao Onpe e disse já estar seguro da vitória.

"Os votos que faltam contar são de zonas e países onde já vínhamos ganhando nas pesquisas. PPK é o novo presidente do Peru. É só uma questão de tempo para termos o resultado oficial", afirmou a jornalistas.

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Do lado do fujimorismo, Keiko esteve reunida com sua equipe. Seu porta-voz, Pedro Spadaro, negou que a candidata pense em um discurso de admissão da derrota porque "ainda está com esperança e de bom humor", e acrescentou que ela só iria se pronunciar ao final da apuração.

Alguns congressistas fujimoristas foram visita-la e se disseram confiantes. "Vai ser uma injustiça se ela perder, porque Keiko vem trabalhando para isso há mais de dez anos", disse a deputada fujimorista Luisa María Cuculiza.

Desde a noite de terça (7), apoiadores de PPK e de Fujimori se amontoam na porta do Onpe, pedindo resultado rápido. Fora isso, Lima vive uma semana normal.

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O noticiário televisivo passou mais tempo falando da partida entre Peru e Equador, na noite desta quarta (8) pela Copa América Centenário, do que nas eleições, que apareciam como breves flashes.

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