Mulher é morta a tiros durante saque a armazém na Venezuela
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma venezuelana morreu nesta segunda-feira (6) após ser baleada no rosto quando saqueadores invadiram armazéns de alimentos no conflito mais recente no país sul-americano, disse a família da mulher.
Parentes da funcionária de hotel Jenny Ortiz, de 42 anos, afirmaram que ela morreu no hospital depois de ser baleada durante um conflito na noite de domingo em San Cristóbal, uma cidade perto da fronteira com a Colômbia, onde saques e protestos contra o governo têm ocorrido nos últimos meses.
A família, incluindo sua sogra Carmen Rosa, de 58 anos, que disse ter visto o incidente, alegou que um policial atirou em Jenny Ortiz.
As autoridades não comentaram a acusação, embora a polícia local tenha dito que criminosos armados haviam disparado sobre a polícia e uma investigação estava em andamento.
"Os armazéns estavam supostamente cheios de comida e as pessoas precisam de comida", disse Rosa à Reuters no necrotério onde estava sua nora, acrescentando que cerca de 500 moradores tinham ido até as instalações.
Quando as forças de segurança perseguiam algumas pessoas depois da confusão, "eles usaram um banco para se proteger, e um policial que estava perseguindo-os atirou nela. Eles atiraram no rosto", afirmou.
NO LIMITE
Saques proliferam pelo país, inclusive em Caracas, por conta da grave crise econômica na Venezuela. A cada dia redes sociais trazem novas imagens de pessoas invadindo mercados e depósitos ou tomando de assalto caminhões de alimentos.
Assolada por quase três anos de desabastecimento e inflação, a população extravasa sua impaciência de maneira cada vez mais violenta, o que reaviva temores de um novo Caracazo, a revolta que deixou 300 mortos em 1989.
Segundo uma reportagem da Associated Press, a violência justiceira virou corriqueira na Venezuela , país de 30 milhões de habitantes e repleto de criminalidade que, no passado, era um dos mais ricos e seguros da América Latina. Os ataques de vingança revelam quanto o país decaiu, com blecautes diários e escassez que geram filas que dão voltas a quarteirões diante de supermercados.
A queda dos preços do petróleo trouxe à tona anos de má administração nacional; a economia entrou em colapso e, com ela, a tessitura social. Hoje a Venezuela tem um dos maiores índices de homicídio do mundo. É difícil encontrar uma pessoa que nunca tenha sido assaltada.
