Apuração parcial de votação no Peru dá vantagem apertada para Kuczynski
SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL
LIMA, PERU (FOLHAPRESS) - Resultados preliminares da apuração do segundo turno presidencial no Peru indicavam, na manhã desta segunda (6), uma vantagem apertada do economista Pedro Pablo Kuczynski (50,32%) contra sua rival, Keiko Fujimori (49,68%), filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000).
O ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais), responsável pela contagem dos votos, declarou que a parcial se referia a votos válidos das atas de 91,01% das mesas de votação, às 9h40 de Brasília.
O órgão pediu "prudência e paciência" para o resultado final, que só deve sair nesta segunda (6).
Previamente, o principal instituto de pesquisas do país, o Ipsos, já havia anunciado que a diferença entre ambos era de apenas 1 ponto porcentual -cerca de 150 mil votos. "Está dentro da margem de erro, mas é uma tendência difícil de reverter", disse Alfredo Torres, diretor do Ipsos.
Entusiasmados, apoiadores dos dois lados comemoravam desde o fim do fechamento das urnas. Os dois candidatos discursaram antes de conhecer o resultado, mas pediram paciência e cautela.
No começo da noite, PPK (como é conhecido) saiu ao balcão de seu comitê de campanha. "Precisamos esperar o resultado oficial, mas estamos muito felizes, porque queremos fazer um governo democrático e dialogante", disse, enquanto seus apoiadores gritavam: "ditadura, nunca mais".
PPK ainda afirmou que, se for confirmado presidente, seu mandato será um período "sem brigas e de inclusão". Acrescentou que irá "escutar todas as vozes do espectro político".
O aceno ao fujimorismo foi claro. Se vencer, PPK conviverá com um Congresso cuja maioria é fujimorista. Além de Keiko, PPK terá de dialogar com seu irmão, Kenji, um dos deputados mais votados do novo Congresso.
Logo após o discurso de PPK, Keiko também foi até a varanda do hotel onde esperava o resultado, agradeceu aos apoiadores e disse: "Esses resultados que vocês estão vendo na televisão mostram um empate técnico, temos de ter calma. Vamos esperar a chegada do voto rural e do voto do exterior, temos certeza de ter mais de 50%."
A ascensão de PPK nesta última semana foi considerável. Depois de estar mais de 5 pontos atrás de Keiko, o candidato ganhou novo impulso ao receber apoios de forças políticas que não estavam alinhadas à sua candidatura.
O principal deles foi a da socialista Verónika Mendoza, terceira colocada no primeiro turno. "Dei meu apoio a PPK para evitar a volta do fujimorismo, mas não concordo com seu programa e suas políticas, e serei oposição desde o primeiro dia, caso ele seja eleito", disse Mendoza em entrevista à reportagem.
Analistas creem que a marcha anti-fujimorista nas ruas do centro de Lima, na última terça-feira (31), também foi determinante para convencer indecisos a votarem por PPK.
VOTAÇÃO
A votação transcorreu dentro da normalidade, com votos eletrônico e manual. A reportagem visitou colégios em bairros nobres, como San Isidro, e na periferia. Em todos havia forte presença da Polícia Nacional e do Exército.
No Colegio Leoncio Prado, no bairro de Pamplona Alta, Cecilia Uribe disse que espera que o próximo presidente se preocupe com a segurança. "Não aguento mais ouvir histórias de sequestros e de invasão de casas por aqui."
O aumento da violência foi um dos temas da campanha. O Peru é o país em que a sensação de insegurança é mais alta na América Latina, segundo o Latinobarômetro.
Tanto Keiko como PPK prometem atacar o problema. Enquanto o economista fala em mais policiamento e políticas para redução de pobreza, Keiko diz que colocará o Exército nas ruas e promoverá toques de recolher.
