'Quero fazer governo democrático', diz Kuczynski antes de resultado
SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL
LIMA, PERU (FOLHAPRESS) - Ainda sem resultados oficiais anunciados, o candidato Pedro Pablo Kuczynski fez um discurso a seus apoiadores no começo da noite deste domingo (5).
"Precisamos esperar o resultado oficial, mas estamos muito felizes, porque queremos fazer um governo democrático e dialogante", disse o economista, enquanto seus apoiadores gritavam "ditadura, nunca mais".
PPK também pediu aos fiscais que estão nos centros de contagem de votos que sigam "vigilantes" para garantir que o resultado seja "limpo e claro".
Ele disse que, se for confirmado presidente, seu mandato será um período "sem brigas e de inclusão". Acrescentou que, se eleito, irá "escutar todas as vozes do espectro político". Se de fato vencer a eleição, PPK conviverá com um Congresso de maioria fujimorista, eleito em 10 de abril.
Enquanto isso, uma pequena multidão também se aglomerava ao redor do hotel Meliá, onde está Keiko Fujimori. A candidata saiu ao balcão para agradecer os votos, sorridente, e voltou para o interior, onde acompanha as notícias da votação ao lado do marido e das filhas.
Resultados prévios do Instituto Ipsos dão uma vitória a PPK por poucos votos -uma diferença de apenas um ponto percentual, o que corresponde a cerca de 150 mil eleitores. O órgão responsável pelas eleições fará um pronunciamento às 21h (23h do Brasil), com o resultado de um escrutínio rápido, a partir da amostragem de 30% dos votos.
KUCZYNSKI
Kuczynski vem de família de imigrantes. Filho de mãe suíço-francesa e pai judeu polonês, nasceu em Iquitos, mas logo saiu para estudar fora. Cursou economia e filosofia em Oxford e em Princeton.
Ao voltar ao Peru, trabalhou no governo de Fernando Belaúnde (1963-68), mas, quando este foi deposto pelo golpe militar de Velasco Alvarado, retornou aos Estados Unidos, onde trabalhou no Banco Mundial.
Durante a administração de Alejandro Toledo (2001-2006), foi primeiro-ministro e ministro da Economia.
Em sua campanha, PPK chamou a atenção para o fato de, por ter integrado o governo que veio logo após a ditadura fujimorista, ter sido peça essencial no desmonte do aparato ditatorial.
Nas últimas semanas, PPK deixou o estilo passivo para sair ao ataque, afirmando que uma vitória de Keiko seria um retrocesso democrático. Passou a repetir cada vez mais em discursos a palavra "liberdade" e a se descrever como um "político de centro, não de ultradireita como dizem".
De fala lenta e sotaque estrangeiro, sabe que a idade (77 anos) é um ponto negativo em seu currículo, por isso vem repetindo que gosta de se exercitar e tem "muito vigor". Casado pela segunda vez, também com uma norte-americana, tem quatro filhos.
KEIKO
Keiko é uma velha conhecida dos peruanos. Passou a ser a primeira-dama do país quando tinha apenas 19 anos, após o divórcio do pai.
Quando a ditadura caiu e Fujimori migrou para o exílio, Keiko foi aos EUA para estudar. Recebeu seu MBA na Universidade Columbia em 2006 e se casou com um norte-americano, com quem tem duas filhas.
Logo, voltou ao Peru e passou a investir na carreira política. Elegeu-se congressista por Lima e então começou a montar sua candidatura presidencial.
Derrotada, passou a fazer campanha para conseguir um indulto para o pai, hoje preso, condenado por crimes de corrupção e abuso de direitos humanos.
Conservadora, Keiko estudou no Colégio de la Recoleta, instituição católica frequentada pela elite de Lima. Ela se diz contra o aborto, salvo em caso de risco de vida à mãe (única condição aceita na lei peruana) e é contra o matrimônio homossexual.
Aos 41 anos, durante a campanha, apresentou soluções diretas e firmes, propondo legalizar a mineração ilegal, prometendo mandar o Exército às ruas para garantir a segurança, impor toque de recolher em locais perigosos e aumentar os gastos do Estado em saúde.
