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Boca de urna aponta empate técnico na disputa presidencial

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SYLVIA COLOMBO, ENVIADA ESPECIAL

LIMA, PERU (FOLHAPRESS) - O primeiro resultado de boca de urna revelado na tarde deste domingo (5), logo após o fechamento das urnas, deu uma leve vantagem a Pedro Pablo Kuczynski (50,4%) contra Keiko Fujimori (49,6%).

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Embora considerado ainda um empate técnico, imediatamente após o anúncio, escutavam-se buzinas de comemoração a uma provável vitória do economista de direita.

Na porta da casa de Kuczynski, o PPK, em Lima, várias pessoas se acumulavam desde o início da tarde e agitavam bandeiras.

No "bunker" de Keiko Fujimori, porém, uma multidão, vestindo camisetas laranja (cor do fujimorismo) seguia esperançosa em uma vitória da candidata.

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A diferença de apenas 0,8% na boca de urna do instituto Ipsos -o mais confiável do país- não garante uma vitória tranquila, uma vez que não estão contabilizados os votos do exterior, nem o de comunidades andinas afastadas não visitadas por institutos de pesquisa.

O primeiro resultado oficial, baseado em escrutínio de uma amostragem de mesas, será anunciado às 21h (23h de Brasília).

A votação começou no horário neste domingo (5) e transcorreu com normalidade. O voto eletrônico foi usado em alguns centros de votação, mas também houve o voto manual em muitas sessões -principalmente nas comunidades andinas afastadas dos grandes centros.

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A reportagem visitou colégios em bairros nobres, como San Isidro, onde votou o candidato Pedro Pablo Kuczynski (PPK), e na periferia. Em geral, as filas eram pequenas.

Keiko Fujimori votou no final da manhã, em Sucre, na região metropolitana de Lima, com um grande grupo de apoiadores gritando seu nome. A polícia teve dificuldades de impedir as manifestações de apoio, proibidas pela lei nas áreas de votação.

Pesquisa de intenção de voto GfK divulgada na última sexta-feira (3) dava a Keiko, de ascendência japonesa e filha do ex-ditador Alberto Fujimori (1990-2000), 50,3% das intenções de voto, e a Kuczynski, 49,7%.

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No sábado (4), porém, sondagens confidenciais de institutos de pesquisa realizadas neste dia apontavam uma tendência para uma virada do jogo. Numa delas, PPK saía à frente de Keiko por apenas dois pontos.

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, na sexta (3), os institutos atribuíram a subida de PPK nos últimos dias a dois fatores: a repercussão da marcha antifujimorista ocorrida na terça (31) e o apoio a ele declarado, um dia antes, pela candidata de esquerda Verónika Mendoza, terceira colocada no primeiro turno.

KUCZYNSKI

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Kuczynski vem de família de imigrantes. Filho de mãe suíço-francesa e pai judeu polonês, nasceu em Iquitos, mas logo saiu para estudar fora. Cursou economia e filosofia em Oxford e em Princeton.

Ao voltar ao Peru, trabalhou no governo de Fernando Belaúnde (1963-68), mas, quando este foi deposto pelo golpe militar de Velasco Alvarado, retornou aos Estados Unidos, onde trabalhou no Banco Mundial.

Durante a administração de Alejandro Toledo (2001-2006), foi primeiro-ministro e ministro da Economia.

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Em sua campanha, PPK chamou a atenção para o fato de, por ter integrado o governo que veio logo após a ditadura fujimorista, ter sido peça essencial no desmonte do aparato ditatorial.

Nas últimas semanas, PPK deixou o estilo passivo para sair ao ataque, afirmando que uma vitória de Keiko seria um retrocesso democrático. Passou a repetir cada vez mais em discursos a palavra "liberdade" e a se descrever como um "político de centro, não de ultradireita como dizem".

De fala lenta e sotaque estrangeiro, sabe que a idade (77 anos) é um ponto negativo em seu currículo, por isso vem repetindo que gosta de se exercitar e tem "muito vigor". Casado pela segunda vez, também com uma norte-americana, tem quatro filhos.

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KEIKO

Keiko é uma velha conhecida dos peruanos. Passou a ser a primeira-dama do país quando tinha apenas 19 anos, após o divórcio do pai.

Quando a ditadura caiu e Fujimori migrou para o exílio, Keiko foi aos EUA para estudar. Recebeu seu MBA na Universidade Columbia em 2006 e se casou com um norte-americano, com quem tem duas filhas.

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Logo, voltou ao Peru e passou a investir na carreira política. Elegeu-se congressista por Lima e então começou a montar sua candidatura presidencial.

Derrotada, passou a fazer campanha para conseguir um indulto para o pai, hoje preso, condenado por crimes de corrupção e abuso de direitos humanos.

Conservadora, Keiko estudou no Colégio de la Recoleta, instituição católica frequentada pela elite de Lima. Ela se diz contra o aborto, salvo em caso de risco de vida à mãe (única condição aceita na lei peruana) e é contra o matrimônio homossexual.

Aos 41 anos, durante a campanha, apresentou soluções diretas e firmes, propondo legalizar a mineração ilegal, prometendo mandar o Exército às ruas para garantir a segurança, impor toque de recolher em locais perigosos e aumentar os gastos do Estado em saúde.

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