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Deputados alemães aprovam resolução sobre o genocídio armênio

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os deputados alemães aprovaram nesta quinta-feira (2), por ampla maioria, uma resolução que reconhece o massacre de armênios pelas forças otomanas na Primeira Guerra Mundial como um genocídio, um texto criticado pela Turquia, aliada chave sobretudo na questão da crise migratória na Europa.

O texto, com o título "Lembrança e recordação do genocídio dos armênios e de outras minorias cristãs há 101 anos", foi aprovado por quase todos os deputados presentes no Bundestag, a Câmara Baixa do Parlamento alemão. Apenas um deputado votou contra e outro optou pela abstenção.

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No início dos debates, Norbert Lammert, presidente do Bundestag, destacou que a assembleia não é um tribunal nem uma comissão de historiadores, mas servia para que os deputados alemãs assumissem suas responsabilidades a respeito da resolução.

Lambert lamentou as "muitas ameaças, inclusive de morte", contra alguns deputados, sobretudo os de origem turca. Estas ameaças são "inaceitáveis" e "não nos deixaremos intimidar", disse.

Muitos deputados destacaram que a resolução não era algo contra as atuais autoridades turcas, e sim contra o governo da época, responsável pelas mortes em 1915.

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Logo após a votação, o ministro das Relações Exteriores da Armênia, Edward Nalbandian, elogiou em um comunicado a "contribuição notável da Alemanha ao reconhecimento e condenação internacional do genocídio armênio, assim como à luta universal para evitar genocídios e crimes contra a humanidade".

A resolução, no entanto, não envolve o governo da chanceler Angela Merkel.

Já o governo turco chamou de "nula e sem efeito", além de "erro histórico", a votação do Parlamento alemão.

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"O reconhecimento pelo Parlamento alemão de alegações 'distorcidas e infundadas' como 'genocídio' é um erro histórico", escreveu o vice-premiê e porta-voz do governo, Numan Kurtulmus, no Twitter. Ele também chamou a resolução de "nula e sem efeito".

Kurtulmus afirmou que a adoção do texto "não é digna das relações de amizade" estabelecidas entre os dois países. E destacou que a Turquia vai responder da maneira adequada, sem revelar detalhes.

Pouco antes da votação, o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, advertiu que a iniciativa do Bundestag representava um teste para a amizade entre Berlim e Ancara.

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No texto, apresentado pelas bancadas parlamentares da maioria -os conservadores da CDU/CSU e o SPD- e pelos Verdes (oposição), o Bundestag "deplora os atos cometidos pelo governo dos Jovens Turcos da época, que levaram ao extermínio quase total dos armênios".

O Bundestag também lamenta "o papel deplorável do Reich alemão que, como principal aliado militar do império otomano (...), não atuou para acabar com este crime contra a humanidade".

A adoção do texto vai complicar ainda mais as relações, já tensas, entre Ancara e Berlim, por conta da aplicação de um polêmico acordo com a União Europeia, estimulado por Berlim, que contribuiu para reduzir drasticamente o fluxo de migrantes para a Europa.

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O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaça não aplicar o acordo se não conseguir a isenção de vistos para os cidadãos turcos que desejam viajar ao espaço europeu de Schengen.

Após a votação desta quinta (2), Ancara chamou de volta seu embaixador na Alemanha para consultas -um ato diplomático que demonstra descontentamento da Turquia.

Erdogan afirmou, em uma entrevista transmitida pela TV turca, que a resolução adotada pelos alemães vai impactar seriamente a relação entre os dois países e que, após a volta do embaixador, seu governo discutiria a resposta que será dada.

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O presidente armênio, Serge Sarkissian, advertiu que não seria justo não chamar de genocídio o massacre de armênios "apenas porque irrita o chefe de Estado de outro país", em referência ao presidente turco.

A resolução do Bundestag é uma nova etapa no reconhecimento oficial da Alemanha do genocídio, depois que no ano passado o presidente alemão, Joachim Gauck, utilizou, pela primeira vez, o termo "genocídio" para classificar os massacres cometidos contra os armênios em 1915.

Os armênios consideram que 1,5 milhão de pessoas foram assassinadas de maneira sistemática no final do império otomano.

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Muitos historiadores e mais de 20 países, entre eles França, Itália e Rússia, reconhecem o genocídio dos armênios.

A Turquia afirma que o que aconteceu foi uma guerra civil, ao que se adicionou a fome, na qual morreram de 300 mil a 500 mil armênios e outros tantos turcos quando as forças otomanas e a Rússia disputavam o controle de Anatolia.

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