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Mesmo após críticas, Serra não vê dificuldade para acordos com a Bolívia

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GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em meio a um estremecimento na relação diplomática do Brasil com países vizinhos de esquerda, o ministro de Relações Exteriores, José Serra, afirmou nesta quarta-feira (25) que não avalia haver dificuldades para estabelecer um acordo com a Bolívia para segurança fronteiriça.

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Na semana retrasada, o Palácio do Itamaraty divulgou duas notas repudiando declarações de países vizinhos que criticaram o processo de impeachment de Dilma Rousseff, como Bolívia, Venezuela e Equador.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou a convocar o embaixador venezuelano no Brasil de volta ao país sul-americano, mas depois Caracas avisou o governo brasileiro de que não se tratava de retaliação.

"O Brasil tem relações econômicas normais com a Bolívia e tem interesse na Bolívia. Não vejo dificuldades em ter uma aproximação para efeito de tratarmos de questões que nos interessam", disse o chanceler.

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Serra justificou o envio das notas diplomáticas a uma reação aos ataques que o governo interino sofreu após o impeachment de Dilma Rousseff por parte de vizinhos governados por presidentes de esquerda.

"Nós somos atacados e reagimos em um tom menor, não em tom maior. Não podemos ser acusados de nos defender. Estamos sendo atacados. Se nos defendemos, somos acusados? Não tem sentido. Se tem ataques, a gente se defende. E instruímos o corpo diplomático inteiro nessa direção", disse, em referência à circular que o Itamaraty encaminhou aos embaixadores para orientá-los a "combater" a versão de que o Brasil havia passado por um golpe.

O ministro Raul Jungmann (Defesa) informou que também enviou uma circular a todos os adidos militares em embaixadas brasileiras para "desmistificar versões que não condizem com a realidade democrática do país".

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Serra e Jungmann participaram nesta quarta-feira (25) de entrevista à imprensa para anunciar a criação de um comitê executivo de coordenação e controle de fronteiras. A proposta é criar um esforço de fiscalização com a participação de países como Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

O chanceler disse que já conversou com o presidente da Argentina, Mauricio Macri, para a realização de uma reunião subregional para tratar do tema. Segundo ele, o objetivo da iniciativa é combater o contrabando de armas, o tráfico de drogas e o deslocamento de mercadorias ilegais.

"Há estimativas de que entram o equivalente a R$ 30 bilhões por contrabando de mercadorias, com perda de receita de R$ 20 bilhões, sem gerar empregos", explicou.

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Segundo Jungmann, nos próximos dias, será iniciada nas fronteiras a Operação Ágata de fiscalização das fronteiras, que envolverá 15 mil homens, 8 navios e 80 lanchas.

"Essa operação vai envolver todas as nossas fronteiras, através de um trabalho de inteligência que tem como objetivo assegurar a realização tranquila dos Jogos Olímpicos e Paralimpicos", disse.

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