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Argentina, Chile e Uruguai cobram solução por diálogo na Venezuela

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LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - A Argentina, o Chile e o Uruguai fizeram um apelo urgente à Venezuela para que um diálogo entre o governo de Nicolás Maduro e a oposição coloque fim à crise política pela qual passa o país.
Os ministros das Relações Exteriores dos três países assinaram um comunicado, divulgado nesta sexta-feira (20), em que pedem também que os direitos humanos e as liberdades individuais sejam respeitadas.
Desde esta quinta (19), a Venezuela está sob estado de exceção, vivendo um forte clima de tensão com o governo de Maduro tentando impedir que a oposição realize um referendo que poderá revogar seu mandato.
De acordo com o documento dos três países, o conflito deve ser resolvido pelos próprios venezuelanos.
"Com pleno respeito ao princípio de não ingerência em assuntos internos, acreditamos que os problemas venezuelanos deverão ser solucionados pelos próprios venezuelanos, de acordo com sua institucionalidade e observando os compromissos internacionais de proteção aos direitos humanos e às liberdades individuais."
Os chanceleres classificam o momento como de "grave polarização" e afirmam que Argentina, Chile e Uruguai acreditam que os venezuelanos saberão "honrar sua longa tradição democrática e seu histórico compromisso com as soluções políticas pacíficas e de consenso, desencorajando alternativas radicais que distanciem o país das vias democráticas."
No meio diplomático, o comunicado conjunto foi visto como uma advertência ao governo de Maduro.
Para Jorge Hugo Herrera Vegas, ex-embaixador da Argentina no Brasil, os países emitiram um aviso para que a Venezuela não fira a Constituição. "O conteúdo é razoável. É um chamado para que não se abandone a democracia", disse.
"Vejo como uma intimação, que, se desobedecida, poderá abrir espaço para outras possibilidades", afirmou Andrés Cisneros, número dois do Ministério das Relações Exteriores da Argentina entre 1996 e 1999.
Entre as alternativas possíveis, estaria a aplicação da cláusula democrática do Mercosul. Em 2012, o bloco a acionou e suspendeu o Paraguai após o então presidente, Fernando Lugo, sofrer um impeachment em menos de 24 horas.
Recentemente, a presidente afastada Dilma Rousseff pediu para que o caso do Brasil também fosse analisado pelo Mercosul.

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