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Declaração de novo secretário de SP desagrada setores da Polícia Militar

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ROGÉRIO PAGNAN
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A declaração do secretário da Segurança de São Paulo, Mágino Alves Barbosa Filho, contrária à ideia de a PM também investigar crimes comuns, desagradou policiais militares paulistas.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Barbosa Filho disse que a corporação deve se concentrar em seu papel "primordial" que é o patrulhamento das ruas, principal ferramenta de combate à criminalidade.
"Acho que é legítimo para a PM querer ir buscar [poder para investigar crimes]. Eu tenho uma opinião: isso pode criar um problema para a PM. Você atribui uma responsabilidade mais ampla e prejudica a atividade dela primordial, que é o patrulhamento, repressão", disse o secretário.
PMs ouvidos afirmaram que as afirmações do secretário são desastrosas -para eles, as declarações alinham o secretário com a Polícia Civil nessa discussão (a instituição é contra o ciclo completo) e por resumir de maneira equivocada a discussão sobre a demanda da PM.
Para os oficiais, não haveria nenhum prejuízo ao patrulhamento porque a PM já produz um documento de registro de ocorrência e perde muito tempo nas delegacias esperando para apresentar a ocorrência e, depois, para ser ouvida nos inquéritos.
"Admiro muito que um promotor de Justiça fale, a não ser por interesse políticos, uma coisa dessas. Poderia até falar se atuasse na área cível, familiar, se ele não tivesse não vínculo com a área criminal", disse o assistente institucional da Associação dos Oficiais da Polícia Militar de São Paulo, coronel Flammarion Ruiz.
Para o oficial, a população só ganharia com essa mudança, porque apenas 10,3% dos crimes registrados pela Polícia Militar por ano realmente são levados à Justiça. De acordo com levantamento da associação, em 2014 foram reportados pela Polícia Militar 656.978 crimes. Desses, 108.723 inquéritos foram instaurados na Polícia Civil (16,6%), e 67.872 deles deram entrada na Justiça.
"A Polícia Civil seleciona os casos a serem apurados. Essa seletividade não interessa à sociedade. Não queremos que a sociedade perca a oportunidade de 'premiar' o cidadão que cometeu a ilicitude."
Já os deputados federais major Olímpio Gomes (SD-SP) e capitão Augusto (PR-SP) disseram que o novo secretário não começa bem sua gestão. "Ele começa mal com esse imaginário que criar o ciclo completo aumentaria as atividades da polícia, desviando das atividades preventivas. Falta de visão", afirma Olímpio.
Segundo capitão Augusto, "ele começou de maneira infeliz". "O ciclo completo é o futuro e o caminho para melhorar a segurança pública no país. O mundo inteiro adota. Menos Brasil, Cabo Verde e Guiné-Bissau. São os únicos países que adotam duas meias polícias como nós."
A discussão do chamado "ciclo completo" prevê que a PM possa acumular a função de investigar crimes e que a Polícia Civil possa fazer patrulhas e prevenção. Ambas poderiam assumir uma ocorrência desde o início e levá-la até o Ministério Público.
O assunto é discutido no Congresso pela PEC 431 e tratado como prioridade pelas corporações -além de ser um dos principais motivos de embate entre elas no país.

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