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Serra será recebido por Macri em visita à Argentina

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LUCIANA DYNIEWICZ
BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - O recém-empossado ministro das Relações Exteriores, José Serra, será recebido pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri, na tarde da próxima segunda-feira (23) em Buenos Aires.
No início deste ano, quando o então chanceler Mauro Vieira esteve no país, Macri também o recebeu.
Essa será a primeira viagem de Serra como ministro de governo do presidente interino Michel Temer. Ele chegará à capital argentina na noite de domingo e ficará hospedado na casa do embaixador Everton Vieira Vargas.
No fim da manhã de segunda, se reunirá com sua colega argentina, Susana Malcorra. Nesta sexta-feira (20), a chanceler confirmou, a uma rádio argentina, que irá interromper a viagem que faz para receber Serra.
Malcorra saiu da Argentina no último dia 4 com destino a Estados Unidos, Inglaterra, Líbano, China, Qatar, Turquia e México. A visita a Istambul foi cancelada e a parada na Cidade do México, adiada por causa do brasileiro.
"Estamos começando a trabalhar com a nova gestão [do Brasil]. Teremos uma primeira reunião com o chanceler Serra para vermos como administraremos nossos vínculos bilaterais e também como nos posicionaremos desde o Mercosul, onde teremos muito trabalho agora que estamos trocando propostas [de livre comércio] com a União Europeia", disse à rádio Mitre.
A ministra, que nesta sexta está em Pequim, deverá passar por Doha antes de chegar a Buenos Aires. Na terça, regressa a seu tour, partindo para o México.
Segundo o ex-embaixador da Argentina no Brasil Jorge Hugo Herrera Vega, a alteração na agenda de Malcorra é justificável. "O Brasil tem uma grande importância para nós. É do interesse da Argentina ter uma reunião com o novo chanceler."
Para o governo de Temer, a ida de Serra a Buenos Aires também é estratégica. Em seu discurso de estreia no cargo, proferido na quarta (18), o ministro afirmou que a Argentina será o principal parceiro comercial na América Latina e que os países passam "a compartilhar referências semelhantes para reorganização da política e da economia".
Desde dezembro do ano passado, quando o centro-diretista Mauricio Macri assumiu a Presidência, as políticas adotadas na Argentina mudaram drasticamente em comparação com o governo de esquerda de sua antecessora, Cristina Kirchner.
Serra viajará acompanhado por Aloysio Nunes, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, e mais quatro assessores. A comitiva deverá ser recebida sob protestos. Brasileiros que vivem na cidade e que são contra o processo de impeachment preparam manifestações com o apoio de grupos de esquerda da Argentina.
Nesta sexta, oito entidades de direitos humanos do país, incluindo a Associação das Avós da Praça de Maio, divulgaram um documento em que chamam o impeachment de "golpe institucional".
CANDIDATURA
Também nesta sexta, Macri anunciou a candidatura de sua chanceler, Susana Malcorra, à secretaria-geral da ONU. O sul-coreano Ban Ki-moon, que comanda a organização há cinco anos, deixará o posto em dezembro.
"É uma decisão que o presidente tomou porque vê que há uma oportunidade de inserir a Argentina [no contexto internacional] de diversas maneiras. É uma aposta, um gesto de confiança do presidente, mas há muitos outros que precisam opinar se sou a pessoa adequada [ao cargo]", afirmou Malcorra à rádio local.


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