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Nova proposta de reajuste a motoristas de ônibus de SP será abaixo da inflação

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GUILHERME BRENDLER
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A nova proposta de reajuste salarial aos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo é de 7,5% de aumento salarial, abaixo da inflação. O índice no ano passado foi de 10,67%, segundo o IBGE.
A categoria cruzou os braços por duas horas na quarta-feira (18) e por uma hora no dia seguinte em protesto contra a oferta inicial feita pelo sindicato patronal (SPUrbanuss), de 2,31% de aumento no salário e no vale-refeição.
Os trabalhadores vão decidir se aceitam ou não a proposta dos patrões em assembleia no Sindicato dos Motoristas nesta sexta-feira (20), às 16h. Se a decisão for rejeitada, os trabalhadores devem radicalizar e cruzar os braços durante todo o dia na segunda-feira (23).
A nova proposta do SPUrbanuss inclui também aumento de 7,5% no tíquete, que passará a ser de R$ 20,50 por dia, e Participação em Lucros e Resultados (PLR) de R$ 1.300, que serão pagos integralmente até agosto.
Os trabalhadores reivindicavam 5% de reajuste, além da correção da inflação, PLR de R$ 2.000 e outros benefícios. As viações, até então, ofereciam 2,31% de alta no salário e no vale-refeição -e cobravam mais subsídios municipais.
A gestão Fernando Haddad (PT) elevou em 150% os repasses do município às empresas de ônibus -para cobrir a diferença entre arrecadação e custo do sistema- nos primeiros cinco meses de 2016 em relação ao mesmo período do último ano de Gilberto Kassab (PSD).
Em 2015, a gestão Haddad repassou R$ 1,9 bilhão às viações para compensar esse deficit -motivado, dentre outros fatores, pelas gratuidades (incluindo idosos e alunos da rede pública) e descontos (como do Bilhete Único).
'ENROLANDO'
Na manhã de quarta, cerca de 1,5 milhão de passageiros foram diretamente afetados pela paralisação. Na quinta, bloqueio nos 29 terminais de ônibus, iniciado às 14h e previsto para durar duas horas, foi encerrado às 15h pelos sindicalistas -com a justificativa de que as viações apresentaram, naquele momento, uma nova proposta de reajuste salarial.
Quando os motoristas voltaram ao trabalho, a lentidão do trânsito estava um pouco acima da média, com 56 km. O habitual é entre 32 km e 54 km, segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).
A paralisação nos principais terminais da cidade foi menos traumática que a do dia anterior, mas, ainda assim, muitos passageiros enfrentaram problemas.
A professora Mara Sanção, 42, vinha de Jundiaí (a 58 km de São Paulo) para ir ao médico. No terminal Bandeira, no centro, ficou sabendo da paralisação. "Estou tentando remarcar a consulta médica para amanhã. Como faz?"
Luis Antônio Tomaz, 57, disse que o motorista que o trouxe até o terminal Parque Dom Pedro 2º, no centro, veio "enrolando no caminho". "O motorista fez em 40 minutos um trajeto que leva só 15", disse Tomaz, que vinha da avenida Paulista.
"Quer protestar? Então deixa a catraca livre. Roda sem cobrar a passagem. Prejudica o patrão e a prefeitura, e não o povo", completou.

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